O lugar onde Astrid às esperava, ficava muito longe de qualquer possibilidade de serem vistas ou ouvidas, e ao mesmo tempo, o barulho da rodovia, era ensurdecedor.
A antiga estação de tv desativada, ficava na subida ao pico do Jaraguá. Uma construção de três andares decrépita, que mais parecia um hangar cheio de equipamentos de transmissão totalmente condenados.
O próprio prédio em si, era assustador, sem contar a subida íngreme e derrapante.
Elas nem tinham descido do carro, e dois homens armados as fizeram sair e entrar dentro daquele lugar horrível que cheirava a mofo e urina. A faca foi arrancada das mãos de Bianca e ela não parava de se debater querendo ver a filha.
Dentro do prédio, Lucy percebeu que os andares eram construídos em estruturas de ferro, rente às paredes, e no meio, uma antena de transmissão enorme se erguia para fora do teto. Apesar de ainda estar de dia, o interior era escuro e a pouca luz vinha da abertura no teto e de poucas lâmpadas penduradas nos andaimes.
Ventava muito, e o barulho dos ferros rangendo era assustador.
- Ora ora ora! – a voz de Astrid interrompeu sua observação. – Se não é a putinha doida e a muda asquerosa.
Lucila não reagiu, só encarou a figura que saia das sombras, como o próprio diabo.
A figura de Astrid emergiu das sombras como algo que jamais deveria ter forma humana.
Primeiro veio o som, o estalar lento de salto contra metal oxidado, ecoando pelo vazio como um prenúncio de desgraça. Depois, a silhueta, um vulto esguio, alto, envolto em um casaco escuro que ondulava ao sabor do vento que uivava dentro da estrutura.
A fraca luz filtrada pelo teto iluminou seu rosto apenas o suficiente para revelar um sorriso retorcido, um brilho febril nos olhos, e a maquiagem perfeita que a fazia parecer uma mistura de dama da sociedade e louca mascarada.
Ela avançava com passos lentos, calculados, como um predador maligno, que antecipava o momento antes do ataque. Cada movimento dela parecia distorcer o ar fétido, impregnando o ambiente com uma energia malévola, uma presença tão sombria que arrancou o ar dos pulmões de Lucy.
Quando abriu os braços, como quem dá boas-vindas ao próprio caos, a risada baixa que escapou de seus lábios reverberou pelos andaimes, fazendo o ferro ranger como se até o prédio temesse sua chegada.
- Cadê a minha filha sua louca?! – Bianca gritava, sendo mantida pelo bandido que a segurava firme. O homem desferiu um tapa tão violento, que a pobre menina caiu no chão, cuspindo sangue. E mesmo assim continuava esmurrando o seu agressor, que subiu em cima dela, e apertava seu corpo com um sorriso hediondo. – Me solta! Não me toque! Mariane! Mariane! Eu vim te salvar! A MAMÃE ESTÁ AQUI!

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