Os homens só pegaram o dinheiro e obedeceram. Enquanto Bianca era arrastada para dentro de uma saleta quase destruída, pelos cabelos, sofrendo vários golpes violentos de seu agressor. O outro bandido puxou Lucila escada acima, com medo de ser empurrada e acabar caindo de barriga, ela tentou segui-lo sem colocar seus filhos em risco.
Astrid estava bem a frente, e os gemidos de Mariane ficaram audíveis assim que chegaram à plataforma de ferro do segundo andar. As lágrimas escaparam dos olhos de Lucila, os gritos de Bianca e de sua filha rasgaram sua alma, e ela nem mesmo percebeu que foi empurrada para uma espécie de câmara de metal que lembrava um amplo elevador velho.
O homem a empurrou para dentro, e ela viu horrorizada que aquele lugar estava cheio de facas, tesouras, correntes, espetos, lanças e instrumentos que pareciam ser usados para caçar e esfolar animais.
- Foi bom que ele tenha te mantido viva. – Astrid disse, dispensando o bandido, que desceu correndo as escadas. – É como se Vitório tivesse preparado um cordeiro para que eu a sacrificasse, para que me banhasse no seu sangue com prazer!
Um tremor descontrolado assumiu seus membros, seus bebês estavam agitados, como se prevessem o pior. Astrid sacou uma arma de fogo e a apontou para Lucy.
- Deite na mesa, vadia. – ela mandou, seus olhos verdes brilhando, insanos. – Ou eu atiro na sua barriga.
Lucy se lembrou de sua infância, e de como monstros como Felipe, como esse demônio a sua frente, só se alimentavam das súplicas, do desespero de suas vítimas.
Em silêncio, ela fez a outra mandou.
Antes que estivesse totalmente deitada, Astrid pegou um dos espetos e o cravou na coxa de Lucila até atravessar do outro lado.
- AHHHHHHHHHHHHHHHH!!!! – O grito de dor prendeu o ar em seus pulmões, suas lágrimas ficaram suspensas, seus olhos encontraram a expressão extasiada da mulher, que parecia em êxtase.
- Não sabe quanto tempo esperei por esse momento, piranha maldita! – ela disse, pegando uma faca. – Eu vou te retalhar inteira, um corte para cada vez que se atreveu a tocar o que é meu. E quando estiver agonizando, eu vou arrancar esses malditos bebês de dentro de você e arrancar suas cabeças para que essa seja a última imagem que você verá!
As palavras monstruosas causaram um zunido em sua mente, e de repente, ela se sentiu tomada por uma força e uma coragem monstruosa.
Quando Astrid avançou com a faca para ela, Lucy girou a perna livre, fazendo o cabo do espeto de ferro atingir o rosto daquele monstro. Ela cambaleou para trás, seu nariz virou uma represa de sangue, o olhar demoníaco se voltou para Lucy, e ela avançou furiosa, mas Lucy aproveitou sua chance e se levantou, arrastando a perna transpassada.
Pegando tudo o que encontrou naquela mesa, cheia de instrumentos de tortura, ela foi jogando contra Astrid, e se afastando para a plataforma de ferro do andaime. Conseguiu atingí-la no rosto duas vezes, e uma no estômago, mas aquela mulher parecia possuída, e mesmo sangrando ela continuava avançando rápido, e então sacou a arma.
O corpo de Lucy parou, contra a grade de segurança, o espeto de sua coxa enroscou em uma das divisórias, e Astrid correu para ela atirando. Lucy fechou os olhos e se abaixou quando sentiu a barra que a mantinha presa amolecer.
Astrid não teve tempo de parar, e ao segurar na grade para parar, ela se abriu como se fosse de papel. Estava tomada pela ferrugem.

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