- Temos um futuro físico aqui, hein. – comentou Hermes com um sorriso apreciativo.
- Ele é um garoto muito inteligente, não é mesmo carinha? – Vitorio perguntou, voltando a si.
O menino só assentiu encabulado, e Lucila achou aquilo tão fofo que teve que se controlar para não abraçá-lo.
- Então, filha, não quer nos contar como essa criança adorável veio parar aqui? – sua mãe perguntou, sem disfarçar a curiosidade.
“Ele não contou a vocês, quando os recebeu?” ela perguntou, se referindo ao fato que Vitório fez questão de receber seus pais lá fora no jardim.
- Não, ele só nos disse que tinham um convidado, e que era uma criança. – Amanda sorriu para Olavo com gentileza. – Nem imaginamos que não era um dos seus sobrinhos, do Ícaro ou do Alberto.
Lucila olhou para Vitório surpresa, ela pensou que ele também usaria a presença de seus pais para pressioná-la a tomar a decisão de entregar o menino à assistente social.
- Acho que é melhor você contar, afinal, foi você quem o encontrou. – ele disse, com um olhar enigmático que deixou Lucila sem ação por alguns instantes.
- Vamos, nos conte tudo. – insistiu sua mãe.
A mesa foi retirada e eles passaram para a sala de estar, com Lucila contando aos seus pais como Olavo apareceu no jardim sob aquela chuva torrencial.
Acomodados no sofá, Olavo se sentou ao lado dela, e Vitório ao lado do menino. Seus pais se sentaram de frente para eles, no outro estofado. Quem visse aquela cena de fora, pensariam que eram uma família completa. Vitório passou o braço pelos ombros do menino até chegar aos de Lucila.
Ela ficou tensa assim que sentiu o toque dele, sua pele se arrepiando toda, e para piorar, sua mãe olhava para o menino como se quisesse interrogá-lo, coisa que não deveria ser feito tão cedo, e muito menos sem sensibilidade.
- É uma história e tanto. Aposto que o Olavo nunca irá se esquecer da Lucy. – comentou Hermes, com tato.
“E nem eu, a ele. Quero que ele fique mais tranquilo, para que possamos entender o que aconteceu. É uma situação delicada.” Ela explicou, sem revelar que o menino tinha o seu endereço.
Não precisava de mais perguntas agora.
- Acho que já deu para você, carinha. – Vitório comentou suavemente, ao ver o corpinho do menino tombar contra Lucila.
O abraçando delicadamente, ela afagou seus cabelos fartos, ele estava praticamente dormindo; felizmente sem a febre que o castigou de manhã.
- Vou levá-lo para cima, deixe comigo. – ele falou, se levantando.
Com facilidade, Vitório pegou Olavo adormecido, e o carregou escada acima.
- Seu esposo será um ótimo pai, querida. – comentou Amanda os observando. – Deveriam pensar sobre o assunto, não acha?
“Esse não é o momento, mamãe. – respondeu Lucila, sentindo um nó se formar em seu estômago. Não era a primeira vez que sua mãe abordava esse assunto. – Acho que as coisas estão muito tumultuadas agora.”
- E quando será o momento então? – Amanda abandonou a xícara de café praticamente intocada na bandeja que Mila serviu. – O Vitório vai ser avô do filho dele? Não acha que precisam reconsiderar?
“Mamãe, as coisas não estão...”


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