- Já sentiu saudades, princesa? – a frase maliciosa e provocativa de Vitório a tirou do transe que aquela cicatriz causou.
Lucila piscou várias vezes, desviando o olhar, se sentindo mal por ter adentrado o espaço dele sem bater, e vendo o que não deveria ver. Os dedos longos e ágeis abotoaram a camisa azul clara rapidamente, e ele cruzou os braços no peito com um sorriso indulgente.
- O que foi? Ficou tímida novamente só porque viu partes de um homem despido? – a pergunta foi dita em um tom de sarcasmo que Lucila ignorou.
Reestruturar seus pensamentos e emoções estava muito difícil depois do que viu. Ela viu sem camisa uma vez na Itália, por acidente, e ele não tinha aquela marca. A cicatriz era uma fenda profunda que formava um sulco de uns vinte centímetros do lado direito do peito. Aquilo deve ter sido um ferimento grande e que precisou de pontos para cicatrizar, havia cinco linhas em direções opostas que saiam do sulco, indicando que o dano fora bem maior do que aparentava agora.
Mas Vitório nunca foi hospitalizado com qualquer tipo de lesão. Ela se lembraria se o seu marido estivesse todo costurado no peito.
Então, como Vitório conseguiu aquela cicatriz sem que ela soubesse? E o que foi que causou aquilo?
Seu peito doía em pensar nele sozinho, com dor, sangrando. Ela se perguntava se era tão insignificante assim, para que não fosse considerada nem para apoiá-lo em um momento assim.
Sem saber o que deveria fazer, ela se virou e saiu, mas sentindo os passos largos dele atrás dela.
Quando alcançou a escada, ele a segurou pelo pulso, fazendo seu corpo girar para ele.
- Perdeu a vontade de brigar comigo? – perguntou se aproximando dela.
Lucila estava dois degraus acima, e observou seu rosto másculo, a barba salpicada de fios brancos, os cabelos cheios, iluminados pelas mechas prateadas. Suas mãos queriam afundar nos seus cabelos, mas o sentimento de rejeição e de incapacidade endureceram o seu peito.
Até mesmo algo importante como um ferimento daquele nível foi ocultado dela.

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