Olavo
O homem estava segurando Lucila de um jeito estranho.
Não era como Fernando segurava a Astrid, e nem como Russo, o namorado da Brenda, fazia com ela.
Olavo observou o jeito que o homem tocava Lucila com cuidado, e falava coisas num tom suave que ele não tinha ouvido ainda. Ele era muito alto, tão alto que ficou com medo de se aproximar quando o viu sair da casa na noite anterior; não teve coragem de perguntar para ele se essa era a casa do Vitório Darius, quando chegou ao endereço que encontrou escondido nas coisas de Brenda.
Mas se ele está na casa de novo, e tem a aparência que ouviu Astrid descrever inúmeras vezes antes de sumir; ele poderia ser aquela pessoa?
Esse homem que certamente media dois metros de altura, tinha olhos parecidos com os seus, e falava com a senhorita Lucila com tanta intimidade... era Vitório Darius?
Então era ele...era mesmo ele...
Seu pequeno coração disparou, seus olhos pararam nos dele. Não, isso não podia acontecer assim, não pode ser ele! Pensou Olavo sentindo seus olhos arderem.
- Quem é ele, Lucila? – a pergunta escapou de sua boca antes que pudesse se controlar.
Ambos agora olharam para ele, e o homem mudou sua expressão e o seu foco.
Não devia ser assim, não estava pronto para esse momento, pensou segurando as lágrimas. Ele não tinha se vestido bem, estava descalço e várias de suas marcas roxas estavam expostas, vestia a mesma roupa gasta e rasgada com a qual fugiu de casa, com a única diferença de que estavam limpas e cheirando a amaciante de roupas.
Se apresentar dessa forma nunca foi o que ele planejou. Olavo sabia que a primeira impressão era importante, pelo menos era o que Astrid sempre dizia. Mas agora, suas chances de fazer seu pai gostar dele estavam arruinadas.
Ele não ia gostar de um moleque magricela, todo maltrapilho.
Tudo estava dando errado, e ele podia sentir os olhares observando seus movimentos. Eles não iam ficar com um garoto assim, pessoas do nível deles, não iriam querer alguém que se apresentasse desse jeito.
Olavo sentiu o ar faltar em seus pulmões, e tentou estabilizar sua respiração com os exercícios que viu na tv. Uma crise agora não era aceitável, pensou tentando se controlar.
- O prazer é todo meu. – ele estendeu a mão enorme, e Olavo deixou e a sua sumisse com o aperto dele. – Está com fome? – ele se abaixou e disse baixinho como se confiasse a ele um segredo. – Sente o cheiro? Estão assando biscoitos de chocolate. Preciso de um parceiro para conseguir alguns, porque a cozinheira me odeia. O que você acha?
Olavo conteve o riso, mas concordou acenando com a cabeça. Ele não parecia odiar a presença dele, e agora poderiam comer biscoitos quentinhos juntos.
Ele olhou para Lucila na dúvida, e se ela ficasse chateada pelo que iam fazer. Mas ela só sorriu e se levantou.
- Não se preocupe com ela, sabia que ela também roubava biscoitos comigo? – Vitório olhou para ela com um olhar insistente, e isso fez Lucila ficar vermelha feito um morango maduro. – Olhe como ela não consegue esconder que já fui minha parceira de crime.
Olavo riu, não foi o riso que ele se acostumou a encenar quando precisava, foi algo que realmente saiu de sua boca de uma forma tão espontânea, que fez seus ombros se balançarem.
Vitório pegou a mão dele, e com uma piscadela para Lucila, ele conduziu Olavo escada abaixo.
O menino estufou o peito, e endireitou as costas, tentando andar igual a ele. Finalmente o conhecia, seu pai.

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