Lucy
Seus dedos arrumavam o cabelo com certa frustração. Desde que começou a amamentar, os fios estavam mais grossos e ficavam indisciplinados. Lucy bufou frustrada, quando modelou uma mexa pela enésima vez.
Vitório a abraçou por trás, seu sorriso másculo se perdendo na curva do pescoço dela.
- Entendo que esteja nervosa, mas não tem com o que se preocupar. Está encantadora.
- Obrigada, amor... – ela disse, fechando os olhos e desfrutando da proximidade dele. – Mas não consigo evitar. Esse jantar de boas vindas a sua irmã e a Paula é muito importante para todos nós. Eu quero que elas se sintam confortáveis aqui na mansão, e quero que elas gostem de mim.
- É impossível não gostar de você, princesa. – ele disse, a beijando suavemente. – Além disso, você se esforçou mais do que deveria para coordenar esse jantar sem as meninas.
- Era o mínimo que eu poderia fazer. – Lucy pontuou, conferindo a imagem de ambos no espelho de moldura em bronze, pela enésima vez. – Amélia estava trabalhando feito uma maluca para concluir o projeto do Centro Comunitário Otávio Darius, para que seja o presente de aniversário perfeito e o anúncio da volta de seu pai. – ela arrumou a saia de pregas preta, e a blusa rosa claro, ainda incerta se era a melhor escolha. – E a coitada da Sam, está se recuperando de uma gripe forte. A imunidade dela já não era das melhores depois do transplante, e com essas ultimas noticias, baixou ainda mais, pobrezinha.
- E você é uma mulher que está se recuperando de uma grande cirurgia, e tem três filhos para cuidar. – ele a virou de frente, a abraçando com aquele sorriso charmoso sacana. – E dois deles, te mantém refém de peito de fora a noite toda.
- Você é um sem vergonha. Não dá para falar sério com você. – ela reclamou, cruzando os braços e franzindo as sobrancelhas. – Estou mesmo preocupada, amor. Já se passaram quatro dias desde que soubemos que o Otávio está vivo, eu quase morri de emoção quando o abracei. Mas a sua irmã, e a Paula, elas tiveram uma vida terrível, devem estar acuadas e se sentindo pressionadas com tantas pessoas para conhecer e lidar ao mesmo tempo.
- A Adélia é uma Darius, princesa. – Vitório disse, encontrando seu olhar e a abraçando mais forte. – Ela não esteve conosco, mas foi criada por uma mulher que conhecia o meu pai muito bem, e sabia o que ele apreciava, o que nos ensinava. A Paula é uma figura difusa para nós, mas ela foi uma guerreira, uma mulher incrivelmente forte, que ensinou a Adélia a ser igual. – ele se inclinou, beijando sua testa. – Vai dar tudo certo. Elas vão precisar muito de nós, mas logo estarão completamente bem, como o papai.
- Achei o nome dela lindo. Foi a Paula quem escolheu? – Lucy comentou, abraçando o pescoço de Vitório.
- Foi sim. Ela se tornou empregada pessoal da minha mãe, depois de um tempo trabalhando aqui em casa, e ela sabia que minha mãe sempre quis por o nome da minha avó, caso desse a luz a uma menina.
- Então a Paula, deu o nome da sua avó materna para a sua irmã, realizando o desejo da sua mãe.... – Lucy pontuou. – Meu Deus... essa mulher é... extraordinária.

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