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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 284

Mas então… em um instante aparentemente banal, o olhar de Otávio se cruzou com o de Paula.

E ele sentiu como se algo dentro dela estivesse escondido atrás de uma porta trancada. Havia uma sombra nos olhos dela que não era apenas dor, não era apenas tristeza ou sofrimento pelo trauma que ainda impregnava sua mente e seu espírito.

Era… outra coisa. Uma inquietação, indecisão. Um medo que parecia ter nome e forma, mesmo que Otávio ainda não conseguisse identificar qual.

O brilho que ela tentava manter se apagava por um segundo, e naquele segundo Otávio viu a verdade nua. Essa era a forma que Paula encontrou para se despedir da filha. Tendo a certeza de que ela seria acolhida e amada.

A mulher que se tornou a mãe de sua filha, ia embora.

Isso o incomodou imediatamente, revirando seu interior como uma mão que remexe em brasas.

Ele desviou o olhar, consciente de que Vitório o observava. Não queria que os filhos interpretassem nada errado. Paula era uma mulher honrada. Nunca se insinuou ou tentou qualquer coisa. Nunca lhe deu motivo para pensar que buscava algo além do que a vida lhe deu. E ainda assim…

Otávio não podia mentir para si mesmo, a presença de Paula havia crescido dentro dele.

Não como desejo vulgar, mas como algo mais profundo e cheio de significado. Era admiração constante, uma gratidão que se transformou em algo mais constante e mais íntimo, algo que nasceu de tudo o que enfrentaram. Uma atração incomum que vinha se perpetuando cada vez mais. Ela o conquistou com coragem, altruísmo, com aquele amor incondicional por Adélia.

Era linda por dentro e por fora. E, depois de tantos anos vivendo com um buraco no peito, ele percebeu, tarde demais talvez, que não estava disposto a perdê-la.

O jantar seguiu com risos, histórias e promessas. A sobremesa veio em pequenas porções elegantes, tortinhas de limão, creme de baunilha, frutas vermelhas, e ao final, como uma tradição antiga, todos se levantaram e caminharam para a sala de estar.

A sala era um espetáculo clássico na qual Isadora se esforçou por vários meses. Os sofás de couro, poltronas antigas, lareira decorativa, tapetes orientais, grandes janelas com cortinas de veludo, as luzes lançando sombras dançantes no piso. O café foi servido em xícaras pequenas, acompanhado de licores e biscoitos finos.

Otávio bebeu dois cálices devagar, conversando com Ícaro sobre negócios e com Alberto sobre… tudo e nada, aquele tipo de conversa que existia apenas porque eles podiam estar juntos.

Foi então que ele viu Paula.

Ela se levantou discretamente, sem chamar atenção. Uma saída silenciosa, quase calculada, como quem não espera ser impedida. Como quem não quer despedidas.

Otávio observou por um instante, o corpo reagindo antes da mente. Ele deixou a taça sobre a mesa lateral e caminhou atrás dela, sem pressa, mas com determinação.

Ela atravessou a porta lateral e saiu para o terraço florido.

O terraço era amplo, com vasos de jasmins, roseiras e pequenos arbustos perfeitamente aparados. Archotes iluminavam o caminho, criando uma claridade dourada sobre as pedras claras. O ar noturno era fresco, carregado de perfume natural e silêncio.

Paula estava de costas, perto de um pilar grego, apertando com força a alça de uma bolsa surrada, a mesma bolsa de sempre, simples, desgastada, quase um símbolo de resistência.

Otávio se lembrava de ter insistido para que ela comprasse algo novo, melhor, e ela recusou. Recusou todos os presentes, roupas, qualquer coisa que ele lhe deu, como se temesse que aceitar significasse dever.

Os ombros dela tremiam, ela chorava em silêncio.

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