- Ah que bom que está aqui, Lucy! – a voz de Rosana veio de encontro aos dois.
Lucila viu a colega de trabalho se aproximando, muito entusiasmado com a presença do convidado a frente delas. Deve ser alguém importante para os projetos do Instituto.
- Esse é o doutor Eric Mastrangello DelaVille. – ela apresentou.
Um estalo surgiu no cérebro dela, conectando o olhar gentil e o sorriso simpático ao nome cheio de méritos e reconhecimentos. Ela estava tentando trazê-lo para o Instituto há mais de um ano, mas devido a agenda lotada e a compromissos familiares, não obteve sucesso.
“É um grande prazer conhecê-lo, Dr. DelaVille!” disse em libras, estendendo a mão, com um sorriso cordial. O trabalho dele era admirável.
- O prazer é todo meu senhorita Drumond. – ele respondeu, antes da tradução de Rosana, provando que entendia libras.
- Na verdade, é senhora Darius, não é mesmo, Lucy? – gracejou Rosana, que sempre foi fã de carteirinha de Vitório.
“É isso mesmo. - concordou Lucila, sem jeito. – Mas não se preocupe com isso. Espero que a ocasião auspiciosa seja a oportunidade que estávamos esperando para apresentar o Instituto Mãos Ativas ao Doutor.”
- Só Eric, por favor. – ele disse, modestamente. – Na verdade, estava tentando conciliar meu tempo para responder a proposta que a senhorita.... – Rosana tossiu inconvenientemente em razão do “senhorita”. - ... me desculpe novamente. Sra. Darius. Como estava dizendo, pretendia me apresentar e também a minha filha, Mariana. Nós dois estamos ansiosos para trabalhar com vocês.
Eric deu uma piscadela para a menininha, que sorriu docemente para o pai, e assentiu.
“Estou sem palavras. É realmente um dia feliz. – Lucila respondeu, alegre. – Nós precisamos muito de um profissional do seu calibre para lidar com a diversidade das demandas das crianças. A neuropsiquiatria tem ajudado com evoluções incríveis nesse aspecto do trauma e do desenvolvimento cognitivo.”
- Vejo que fez a lição de casa. – ele brincou.
- A Lucy é uma grande entusiasta do seu trabalho, doutor. Ela sempre lê os seus artigos e novas publicações acadêmicas. – Rosana contou. – Mas vamos entrar. Tenho certeza que essa linda menininha também vai gostar do nosso espaço.
Lucila percebeu que Mariana a observava disfarçadamente, e sorriu para ela, antes de se abaixar para ficar no mesmo nível que ela.
“Pode traduzir o que vou dizer, por favor?” perguntou ao doutor.
- Mariana também é deficiente, ela é usuária das libras há mais de dois anos. Fiquei à vontade para conversar com ela, senhora Darius. – ele respondeu tranquilamente.
- Não se preocupe conosco, Senhora Darius. Ficaremos bem, tenho certeza de que teremos uma ótima visita. – Eric aliviou a ligeira culpa por deixá-los sem a devida atenção.
“Obrigado pela compreensão. Rosana é diretora do Instituto e fará uma excelente apresentação. – Lucila se voltou para a colega. – Pode entregar ao Doutor o meu cartão pessoal, se ele precisar de alguma coisa poderá me mandar uma mensagem ou um email.”
- Pode deixar, Lucy, fica tranquila.
- Obrigado pela atenção e hospitalidade, Sra. Darius. Foi um prazer. – ele estendeu a mão. Seu aperto era firme e caloroso.
Lucila acenou uma última vez para os três, antes de entrar pelas portas laterais para cortar caminho até o seu escritório. Com a presença do Dr. DelaVille no Instituto, tinha certeza que os novos projetos alcançariam a proporção que tanto almejava, e muitas outras crianças e adolescentes seriam beneficiadas com isso.
Enquanto reunia a lista mental de documentos que precisaria, seu sorriso iluminou a sala. Finalmente as coisas estavam saindo da estagnação. Agora só precisava que Vitório concordasse com a adoção, para que tudo fosse perfeito. A mera lembrança dele, seu coração traidor galopou desenfreado e ela fez uma careta.
Até quando seria tão fraca sobre ele?!

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