Lucila
A tela do painel do carro piscava com mais uma ligação de Vitório. Lucila ignorou a chamada mais uma vez, se concentrando na direção.
Já eram quase onze horas e ela sabia que precisava voltar para casa e ver como Olavo estava e também dar um pouco de atenção aos seus pais. Mas pensar em enfrentar Vitório agora, era impossível.
Não se sentia pronta para estar frente a frente com ele. Temia que seus sentimentos a traíssem e que no momento em que seus olhos se encontrassem, ela se jogasse em seus braços fortes, firmes... másculos.
“Pare de pensar nele com... com desejo! Se concentre Lucila!” corrigiu a si mesma.
Nesse horário ele já devia ter saído de casa, e ela poderia voltar sem ter que lidar com o que estava sentindo e com esse calor escaldante que a dominava toda vez que pensava nele.
Diminuiu a temperatura do ar condicionado, esfregando a nuca tensa.
Quando é que essa sensação de se derreter inteira iria passar? E por que sentia que sua calcinha continuava vergonhosamente se molhando só por causa do nome que evocava imagens tão... tão realistas da noite passada?!
Ela balançou a cabeça com força sacudindo as mechas de cabelo escuro.
Precisava se concentrar e parar de pensar nesse homem que a qualquer momento iria achar outra coisa para canalizar seus desejos, e a esqueceria em um piscar de olhos.
Pegou a via expressa que levava ao Instituto. Precisava pegar uma papelada para levar para casa, pois pretendia ficar com Olavo para que ele se sentisse mais adaptado a ela e à nova rotina.
A conversa com Efraim Carrano, seu advogado, foi bem esclarecedora e decisiva. As palavras dele não a deixaram confusa, na verdade era tudo o que precisava para seguir em frente.
Flashback on
“— Lucila — começou o advogado calvo e franzino que a conhecia desde criança; com um tom calmo e didático, abrindo uma pasta sobre a mesa do escritório – Continuamos uma busca por informações de familiares, escolas que Olavo tenha frequentado, mas não há nada. Conclui-se que ele estava em situação de rua ou estava sendo explorado por essa mulher que você mencionou na mensagem. – ele puxou o fôlego.
A secretária bateu na porta e serviu dois cafés.
Lucila dispensou com um aceno educado, e continuou focada nas informações do advogado.
Ela desceu do carro tropeçando em seus pés quando suas pernas fraquejaram, totalmente doloridas.
Se apoiou no carro, fechando os olhos por alguns segundos. O vento frio que cortou seu rosto se tornou bem-vindo quando a nova onda de luxúria a dominou. Ela segurou a bolsa com força, estava começando a pensar que cometeu um terrível engano ao pensar que se entregar a Vitório resolveria seu problema de amor reprimido. Porque agora estava sofrendo de amor e desejo!
- Você está bem? Precisa de ajuda?
Uma voz sonora e masculina interrompeu seus pensamentos nada inocentes.
Se virou para se deparar com um homem alto, de cabelos escuros e uma expressão preocupada no rosto atraente. Ao seu lado estava uma linda menininha de cabelos castanhos, e vestido vermelho, ela segurava a mão do homem com um olhar tímido e reservado.
Não os reconheceu.
Ele não era um dos sócios patrocinadores, e essa menininha nunca tinha frequentado o Instituto.
Então...Quem era esse homem e essa criança tão fofa?

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