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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 81

Lucila

Ela não esperava por isso. Por essa quebra descomunal em suas armaduras construídas com tanta dificuldade.

Jamais imaginou que Vitório se lembrava daquela tarde com tanta exatidão e profundidade. Naquele dia foi umas das vezes que pensou que não ia aguentar essa dor, esse peso que sufocava sua alma, e que a dilacerava todos os dias.

O abraço dele era como um refúgio daquele fardo que vinha carregando por tanto tempo. Lucila sabia que não devia se apoiar em um homem que a deixou sozinha todo esse tempo, mas simplesmente não conseguia desistir desse conforto, dessa sensação de...alívio.

Vitório nunca contou a ninguém seu amor pela música. Seus pais achavam que ela gostava do piano porque assistia o irmão mais velho tocar, mas a verdade estava longe disso.

Hermes e Amanda não questionaram quando a filha mais nova desistiu das aulas de piano depois de apenas cinco meses de aulas com o professor de alto gabarito. O fato de Lucila se interessar por arte, talvez tenha dado a eles a certeza de que ela preferiu a pintura do que a música.

Seus olhos pousaram na partitura de Schumann novamente. O ritmo forte do coração de Vitório pulsava em seus ouvidos, trazendo a sua mente uma melodia tão intensa e bela quanto aquele som.

Ela nunca desistiu da música. Só foi obrigada a parar de estudar e proibida de tocar.

Saber que esse ponto tão sensível de sua vida, sempre foi considerado relevante para Vitório, era como um bálsamo para suas feridas. Mesmo sem querer, a vontade de ter essa presença, esse contato, preenchia seu coração.

Mas poderia desejar isso de novo?

Se iludir e perdê-lo poderia destruir totalmente seus frágeis sentimentos.

Não queria pensar agora, não agora.

As mãos dele acariciavam suas costas, com suavidade, como se pudesse se fundir ao que ela estava sentindo. Lucila sabia que amar Vitório nunca foi errado, pois ele era o único capaz de ver o seu interior.

Mas também sabia que não podia confiar nesse amor para tomar decisões. Porque foi por esse motivo que doeu tanto quando ele a rejeitou e a abandonou nessa casa.

“Eu só toquei essa composição naquele dia. Como você sabia qual era?” perguntou se afastando alguns centímetros. Não se lembrava de outra ocasião em que Vitório a ouviu tocar Träumerei.

Era impossível que ele soubesse o nome da melodia, tendo escutado somente uma vez.

- Ouvi mais algumas vezes...nos anos seguintes, escondido embaixo da escada. – A surpresa a paralisou, ela nunca percebeu que tinha alguém a observando. – me fascinava, princesa... cada nota, cada acorde.

A ideia de seus pais estarem do outro lado da porta, sem saberem que Vitório e ela estavam somente enrolados em toalhas depois de fazerem sexo, era muito constrangedora.

O beijo atrevido subiu até a sua orelha, sugando o lóbulo, fazendo seu corpo se arrepiar.

- Eu adoro ver você corar assim, fica ainda mais gostosa com esse rosado em seu rosto, princesa. – ele sussurrou em sua orelha.

Lucila tentou se levantar, pensando em Olavo esperando por ela. Mas Vitório a deitou na cama e cobriu seu corpo com o dela, beijando sua boca com vontade.

- Vou te deixar colocar o garoto para dormir, mas nem pense em sumir. Ou eu vou atrás de você, e acordo a casa inteira. – segurando seus pulsos, ele mordiscou seu lábio inferior. – Entendeu?

Lucila assentiu, se debatendo sob ele. Esse homem atrevido e bruto! Onde já se viu tratar uma dama dessa forma?!

- Estou te esperando, princesa. – a soltando, ele a observou se levantar, com um olhar faminto, predatório. Um tapinha em sua bunda fez Lucila o encarar em choque.

“Bruto!” Ela xingou, correndo para o closet, escondendo o sorriso bobo que surgiu em seus lábios. A gargalhada sonora de Vitório a seguiu para dentro do quarto de vestir, fazendo seu coração disparar uma vez mais.

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