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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 83

Olavo

Ainda não entendia por que os pais de Lucila o tratavam tão bem, mas ele achava aquilo muito parecido com ter avós. Eles até mesmo o levaram ao cinema e não quiseram ver o filme chato para criancinhas de três anos.

Deixaram que Olavo escolhesse o filme de aventura que parecia bem legal.

E foi muito bom sair com Hermes e Amanda, mesmo que quisesse ficar mais tempo com Lucy e seu pai, ele também queria viver essas coisas que gente normal fazia. Como ir ao cinema, tomar sorvete e aquela vontade boba de ir a um parque de diversões...

Olavo olhou para Vitório correndo na quadra, chutando a bola em direção ao gol que ele estava defendendo. O suor escorria de sua testa, não podia ser uma pereba, seu pai iria achar isso muito ruim, ele imaginava.

Com um movimento desajeitado conseguiu pegar a bola, e sorriu pulando, comemorando.

- Yes! É isso aí! – gritou enquanto chutava a bola de volta para o seu pai.

Vitório “matou” a bola no peito e a girou no pé rindo de volta. Sentada nas mesas do jardim do outro lado da quadra, Lucy e suas duas aplaudiram. Ela não precisava prestar atenção, afinal estava com visitas.

Mas mesmo assim, ela torcia por ele... como ninguém tinha feito.

Ela e Vitório sempre se preocupavam se ele tinha comido o suficiente, se estava com dor, se estava cansado. Seu pai o chamava para roubar biscoitos, para jogar cards, e agora para jogar bola. Ele era tão diferente de Fernando...

Olavo chutou a bola de novo, esfregando seus olhos úmidos de lágrimas.

Queria ter conhecido Vitório e Lucy antes. Queria tantas coisas com eles, que a possibilidade de ser entregue ao serviço social o assombrava todas as noites.

- Ei, carinha? – seu pai chamou, se aproximando com a bola debaixo do braço. – O que foi? Está cansado?

- N.. não.., é que esfreguei os olhos com força demais, só isso. – Olavo respondeu, tentando apresentar aquele sorriso que foi ensinado, mas não conseguia, não para o seu pai.

- Acho que você precisa de um suco de laranja e um descanso. – Vitório passou o braço pelo pescoço do menino, caminhando com ele em direção a mesa das mulheres. – Depois vou ver como é esse seu ataque, aposto que não vai fazer nenhum gol. – ele disse cutucando suas costelas magrelas.

Olavo assentiu, seu peito estava tão apertado, seu coração disparado.

Em um domingo como esse, se não estivesse aqui, estaria trancado no quarto que fedia a mofo no apartamento sujo de Brenda. E se fosse antes, quando sua mãe ainda estava com Fernando, na mansão no Rio de Janeiro; estaria sozinho com algum tutor de mandarim ou coisa parecida.

O sol aqueceu seu rosto molhado e salgado de suor, e ele ficou envergonhado quando se aproximou das amigas de Lucila. Quando elas chegaram, ele já estava na quadra com seu pai. Portanto ainda não o conheciam, e era muito importante que elas também gostassem dele, para que Lucy se convencesse a ficar com ele como filho.

Vitório limpou a garganta quando chegaram perto da mesa. Lucy sorriu para Olavo e segurou sua mão na dela, o encorajando nas apresentações.

- Achei que nunca ia trazê-lo para nos conhecer, cunhado. – a mulher negra de olhos cor de âmbar falou. Ela era tão bonita, mas não como Lucy, Olavo pensou.

- Ele era o goleiro de um bom jogo, Samanta. – Vitório serviu um copo de suco de laranja e o entregou a Olavo. – Carinha, essas são Samanta, e Amélia. – ele pousou as mãos sobre os ombros do menino como se fizesse o mesmo que Lucy, o protegendo e o encorajando. – E esse garoto bonitão, é o Olavo.

- É um prazer te conhecer, Olavo. – Samanta falou, com o sorriso mais largo que ele já tinha visto. Ele corou envergonhado.

- O jantar de hoje a noite está de pé? – Vitório perguntou para ela.

- Claro que está. A Otávia está louca para ver a Lucy, e o Beto vai fazer o linguado que o Ícaro está querendo provar.

“Ótimo! Você pode acabar com o Alberto no tabuleiro hoje mesmo.” Disse Lucy, e a heroína traduziu.

Olavo começou a pensar em várias estratégias que poderia usar para derrotar seu oponente dessa noite e deixar Lucila e Vitório orgulhosos.

Abraçando Olavo novamente, Vitório provocou:

- Aposto que o carinha aqui derrota o seu marido.

- Não duvido, e não contem para ele que eu disse isso! – respondeu Samanta fazendo todos rirem.

Enquanto voltavam para a quadra, Olavo pensou em como seus dias poderiam ser com essas pessoas, e ficou nervoso e ansioso com a perspectiva de conhecer os irmãos de seu pai.

- Fica de olho na bola, não vou aliviar para você. – Vitório disse em um tom de descontração, e logo ocupando o gol. – E não se preocupe com nada, é impossível não gostarem de você, Olavo. Fica tranquilo.

Seus olhos se arregalaram, surpreso. Seu pai podia ler seus pensamentos ou coisa parecida?! Vitório esfregou as mãos ansioso para continuar a brincadeira.

E Olavo só pedia a todos os seres do universo, que eles nunca o separassem de seu pai... e de Lucy... ele queria ficar para sempre com esses...pais de verdade.

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