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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 88

Vitório

As fotos do sistema de segurança do aeroporto ainda estavam distribuídas sobre a mesa reservada do café, no quinto andar do prédio da Acrópole. A mulher e a criança que estavam nas fotos não eram Astrid, e certamente não era o filho dela.

- Bom, é evidente que essa não é Astrid Kutisk e o Olavo Kutiski. – Ticiano apontou para a mulher baixinha de cabelo black power, pele negra, e a criança do mesmo tom de pele e cabelo.

- Ela enganou a todos mais uma vez. – Vitório finalmente conseguiu falar.

Estava com raiva.

Uma raiva tenebrosa, que trazia de volta toda a escuridão com a qual ele conviveu nos últimos anos. Esperava que as informações que Ticiano tinha sobre toda essa merda com Astrid, estivessem como o esperado.

Entretanto, seus instintos mais uma vez se provaram mais fiel do que qualquer coisa que via, ouvia, ou sentia em seu toque.

Quando Ticiano comentou aquela suposta coincidência com os nomes dos garotos, um alerta disparou em seus instintos mais profundos. Algo que mandava imperativamente que investigasse de novo se o filho dela estava mesmo com ela, fora do país. Se ela realmente usou aqueles nomes falsos para tirá-lo de São Paulo.

-Ao que tudo indica, ela comprou essas passagens para essa mulher e essa criança. Fazendo seus inimigos crerem que ela tinha escapado com o filho, para que não o procurassem.

- Essa maldita vadia dos infernos! – o tapa na mesa fez as pessoas mais afastadas olharem para eles, para logo em seguida disfarçarem, quando perceberam que se tratava do CEO de gelo, como o chamavam.

- Se controla, quase derramou o meu café, cacete. – Ticiano reclamou, arrumando os óculos, e segurando a xícara cheia com a outra mão.

- Como você quer que eu fique controlado?! – Vitório uniu as sobrancelhas, em uma expressão intimidante. Só de ouvir o nome de Astrid algo se transformava dentro dele. – Não há coincidências com aquela puta envolvida.

Vitório passou as mãos pelo cabelo com força.

- O que conseguiu sobre o garoto? – o gosto amargo em sua boca se tonou mais forte que nunca. – Porra! Se ela usou um garoto para se aproximar, eu vou matar aquela puta, dessa vez ela não vai escapar!

- Está tentando acertar a conta com aquela mulher há anos. Mas desde que ela te deu essa cicatriz, nunca mais conseguiu ficar cara a cara com ela. – Ticiano bebeu um longo gole de café. – Essa obsessão em acabar com a Astrid quase destruiu suas chances de conquistar a Lucila. Você ficou preso ao que aconteceu e achou que não era o homem certo para ela. Você se lembra?

- Não se preocupe com isso. Eu não vou me afastar da minha mulher por causa dessa rampeira dos quintos dos infernos. – Vitório verificou o relatório novamente. – Você sabe o quanto eu precisei me desdobrar para manter a Lucila a salvo, então eu não diria que foi uma mera obsessão.

- O que vai fazer com o garoto? Você acha mesmo que ele pode ser o filho dela?

- Pelo amor de Deus! Ele foi deixado no portão da minha casa, no meio de uma noite chuvosa, vestindo trapos! O que mais você precisa para perceber que ela está usando o próprio filho para chegar até nós!

- Hum... – Ticiano pegou a foto de Olavo que Vitório tirou sem o garoto perceber. – Você já pensou na possibilidade menos provável? A de que ele não sabe nada da mãe, e está lá porque precisava de ajuda.

- Sempre te considerei um cara sensato, inteligente. Não destrua esse conceito com asneiras como essa. – Vitório olhou para a mesma foto que o amigo dedicava tanta atenção. – Por que diabos uma criança abandonada por Astrid, bateria justamente na minha porta?

- Vou providenciar o exame. Traga o material dele amanhã. – Ticiano olhou para a tela de seu celular piscando.

Com sua visão periférica, Vitório viu o nome de seu irmão no aparelho. O tempo acabou.

- Pague pela urgência, faça o que tiver que fazer. Eu quero saber o resultado o mais rápido possível.

- Acho que no fundo você já sabe. – Ticiano comentou, dando um tapinha em suas costas, que deveria servir de conforto, mas na verdade não teve efeito nenhum.

O caos dominou sua mente e seu peito. Jamais cogitou uma coisa dessas, mal se lembrava do que aconteceu antes de...aquela maldita cicatriz ardendo como o inferno.

Se fosse verdade... aquele garoto era seu filho. Um menino que foi empurrado em todas as direções pela ambição desenfreada da mãe, uma criança que ele não viu nascer e muito menos imaginava que existia.

Os hematomas e a magreza de Olavo voltaram a sua mente, revolvendo seu estômago. Vitório caminhou de um lado ao outro da sacada, quase arrancando os cabelos, como um animal enjaulado. O que mais aquela psicopata fez com aquele menino?!

Como pode não pensar, não ligar os pontos?!

- Eu vou te matar!!!! – rosnou, socando o concreto do parapeito. – EU VOU TE FAZER IMPLORAR, PARA QUE EU TE MATE LOGO!

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