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A Esposa Muda do CEO romance Capítulo 90

Lucila olhou para Olavo, e sorriu travessa, obviamente analisando a bagunça que fizeram e a situação do garoto.

“Preciso de um banho, mas vou cuidar do Olavo primeiro. Ele vai precisar de ajuda, tem terra até dentro das orelhas.” Ela disse, afagando os cabelos dele.

- Vai tomar seu banho, eu me encarrego desse carinha. – Vitório respondeu, oferecendo sua mão para o menino segurar. – Vou te ajudar com o banho, campeão. Nossa senhora aqui, não quer homens de orelhas e pés sujos a mesa de jantar.

Olavo riu, tampando a boca para não gargalhar.

- Está bem. Eu faço tudo para deixar a Lucy feliz. – galanteou, estufando o peito.

- Mais olhe só. Vai querer competir comigo, garoto? – brincou Vitório, fazendo ambos rirem. – Vamos para o banho, e não tente roubar minha donzela. Ou teremos um problema que só será resolvido em um duelo.

- Eu não sei duelar... – ele respondeu preocupado. – Mas eu posso ganhar de você no xadrez.

- Espetinho, hein.. Mudando o terreno da batalha.

Olavo apertou mais forte a mão dele, enquanto subiam as escadas. Lucila roçava seu corpo hora ou outra no dele, quase fazendo Vitório perder a concentração no que estava dizendo.

No alto da escada, ela deu uma piscadela para Olavo, e sorriu para Vitório de uma forma que fez seu sangue ferver. Essa seria mais uma noite que não seria capaz de deixá-la descansar.

- Vamos, carinha. Não podemos deixar ela esperando por nós.

Seguiram para o quarto do menino, e lá ele tirou o blazer e arregaçou as mangas da camisa. Olavo o observava na porta do banheiro, já tremendo de frio.

- Quantas tatuagens você tem? – ele perguntou, enquanto seus olhos passavam pelos desenhos expostos no antebraço direito de Vitório.

- Algumas, só no braço direito. – respondeu, tirando os sapatos e se aproximando.

Nunca tinha dado banho em uma criança, mas como Olavo já tinha nove anos, achava que seria mais fácil. Ajudou o garoto a se livrar da camiseta úmida, e abriu as torneiras da banheira.

- Acho elas legais. – ele disse, abaixando o short.

Vitório tentou não olhar muito, para não deixar o menino sem jeito, mas uma cicatriz na parte de trás de sua perna chamou a atenção dele. Estava quase perguntando quem fez aquilo, seu sangue ribombando em seus ouvidos. Olavo manteve a cueca, e se virou para entrar na banheira. Mas quando ele fez isso, a lateral se sua coxa esquerda ficou visível.

Nunca pensou que poderia sentir algo tão impactante como nesse momento. Vitório olhou para a marca de nascença na coxa de Olavo, seus pulmões lutando para reagir, para puxar o ar de novo.

Seu corpo ficou gelado, inativo, estranhamente sem reação.

Olavo se sentou na banheira, a transparência da água deixando claro aquela marca reveladora.

Vitório esfregou o rosto com a água fria da torneira. Nem sequer esteve lá para segurar sua mão, protegê-lo das sombras, impedir que alguém o machucasse como foi machucado.

Sempre acreditou que Lucila e sua família eram as únicas coisas nesse mundo que tinha para proteger e cuidar. Mas estava absurdamente errado.

O ar que finalmente entrou em seus pulmões, ardendo como álcool em ferida aberta. Seu maxilar travou. A imagem de Astrid se impôs como um veneno em sua mente, repulsiva, cruel, calculista. Sádica como o próprio demônio.

Ela havia roubado dele a chance de ser pai desse menino. Roubado do Olavo o direito de crescer com amor, com proteção, com dignidade. Escondeu uma criança por vingança, ou por estratégia.

Seu filho. Dele!

Ela o usou com Ícaro, com Fernando Vidal, e Deus sabia com quem mais! O ódio subiu em sua garganta como bile, queimando cada fibra de seu corpo. Ele quis esmurrar algo até ver se partir em mil pedaços, destruir o passado inteiro com os próprios punhos.

Mas logo pensou em Olavo, em seu sorriso tímido, em como se sentia seguro com Lucila e com ele, em como o chamou de "legal" com uma esperança infantil.

Vitório se imaginou guiando seu filho em seus primeiros passos no mundo, ensinando-o a nadar, levando para a escolinha de futebol, colocando-o para dormir, ensinando as coisas simples da vida; tudo que perdeu por uma mentira.

E agora que sabia, agora que a verdade gritava em sua carne viva... ninguém, absolutamente ninguém, o tiraria do lado de seu filho novamente.

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