Por que ele não dizia nada? Por que estava apenas ali parado, em silêncio e com uma expressão indecifrável? O silêncio era pior que a raiva. O coração de Isla apertou-se em seu peito.
Ela o chamou de "Gabby", foi algo que saiu sem querer.
Era seu apelido favorito para ele. Um nome que outrora, lhe parecia natural, quando eram crianças. Ele nunca se queixara naquela época. Costumava sorrir quando ela o chamava assim. Mas com o passar do tempo, ele trancara o nome a sete chaves, permitindo que apenas Delphine o usasse. Esse pensamento revirou seu estômago.
Por que não ela? Por que ela não podia?
— Vou fingir que não ouvi isso. — Gabriel finalmente disse, sua voz fria, seu olhar afiado.
— Não cometa o mesmo erro da próxima vez.
O jeito que ele falou não soou bem aos seus ouvidos. Ela não esperava uma solução mágica, é claro. Mas isso... também não era o que ela esperava.
Seu ar ficou preso. A raiva cresceu dentro dela, queimando com mais força. Depois de tudo, depois da noite que haviam acabado de viver, ele ainda escolhia Delphine no lugar dela. Ele ainda determinava regras, como se ela fosse uma estranha, e não sua esposa.
— Saia. — Ela retrucou, sua voz trêmula de raiva. Seus olhos azul-elétrico flamejavam com tanta intensidade que quase pareciam vermelhos.
Gabriel piscou, surpreso.
— Como é? — Sua voz tremia de choque e descrença.
Mas ela falava sério. Seu olhar era firme, e suas palavras foram medidas. Lentamente, ela caminhou até a porta, puxou-a e a manteve escancarada.
— Saia do meu escritório, por favor. — Sussurrou. A aspereza em sua voz suavizou, mas a firmeza de sua decisão permaneceu inabalável.
Gabriel permaneceu imóvel. Seu orgulho gritava para que ficasse, para lembrá-la de quem ele era, para mostrar que ainda era seu marido e mantinha o controle. Mas outra parte dele — a parte que sentia a dor em seus olhos — sabia que não havia mais nada a dizer naquela noite.
Ele acenou com a cabeça rigidamente, sua mandíbula cerrada, e passou por ela sem olhar para trás.
Quando a porta se fechou atrás dele, Isla encostou as costas nela. Seu corpo deslizou para baixo até desabar no chão. Abraçou os joelhos, apoiando o queixo sobre eles, tremendo de emoções que já não conseguia esconder.
Seu coração sussurrava uma verdade: se Gabriel quisesse consertar o que estava quebrado, precisaria fazer mais do que palavras, mais do que aparências. Ela estava farta de interpretar o papel da esposa obediente. Farta de fingir. Chega.
A fúria de Gabriel ardia quando ele entrou em seu carro.
— Para a casa de Delphine. — Ordenou.
Ele afundou no assento de couro, seus pensamentos tumultuados. Ele tinha realmente tentado — pelo menos, à sua maneira — consertar as coisas com Isla. Mas toda vez que se aproximava, toda vez que tentava abrir a porta entre eles, ela a fechava com força. Aquela noite fora a gota d'água. Se ela queria distância, teria.
Está bem. Ela podia fazer o que quisesse. Ele não a incomodaria novamente.

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