No momento em que Aurelian e Mercy entraram totalmente no grande salão, a atmosfera mudou de uma forma que não podia ser ignorada.
Aurelian estivera ocupado com as apresentações, levando sua esposa para conhecer a todos. O colar fazia mais do que brilhar; ele comandava atenção.
Sussurros começaram quase imediatamente.
— Aquele é o Soberano de Azure...
— Ele realmente deu a ela...
— Achei que aquela peça estivesse reservada...
Os murmúrios espalhavam-se silenciosamente pela sala, movendo-se de um grupo para outro. Aqueles que entendiam o significado da joia não escondiam a surpresa. Porque aquele colar não era apenas um acessório; era uma declaração. E Aurelian a fez sem hesitação.
Ele permanecia ao lado de Mercy com autoridade silenciosa, a mão descansando firmemente em sua cintura. Ele não olhava ao redor para medir as reações, nem reconhecia os sussurros. Não precisava, sua presença por si só era o suficiente.
Mas o que surpreendeu a todos não foi apenas a sua aparição. Foi a maneira como ele a segurava. A forma como permanecia perto. A maneira como a apresentava.
Mais pessoas se aproximaram deles, uma após a outra, oferecendo saudações, estendendo as mãos, tentando envolvê-lo.
— Aurelian, é bom finalmente vê-lo em um desses eventos.
— Sentimos sua falta.
— Não esperávamos por isso esta noite.
Ele os cumprimentava calmamente, com respostas medidas e controladas. Mas todas as vezes, sem exceção, ele se virava levemente para Mercy:
— Minha esposa.
As palavras eram simples, mas o tom por trás delas não era. Havia orgulho e convicção. E havia possessividade também. Cada vez que ele dizia aquilo, sua mão apertava ligeiramente a cintura dela, como se reforçasse a veracidade daquelas palavras.
Mercy sentia a intenção dele em cada introdução, em cada olhar daqueles ao seu redor, e em cada sussurro que ela fingia não ouvir. Aquilo não era apenas uma aparição social, era Aurelian mostrando ao mundo exatamente onde ela estava.
E pela primeira vez, ela não estava se encolhendo sob aquela atenção. Ela estava se mantendo firme nela.
Uma nova mudança de atenção ocorreu perto da entrada conforme as cabeças se viravam novamente. Mas desta vez, por um motivo diferente.
Gabriel Wyndham havia chegado. Isla estava ao seu lado, elegante como sempre, com uma presença calma, porém imponente. Juntos, eles carregavam o tipo de autoridade que vinha de anos construindo, liderando e sustentando o poder.
A chegada deles atraiu respeito instantâneo. Mas o que captou a atenção do casal não foi a multidão; foi o filho e a mulher ao lado dele.
Os olhos de Gabriel pousaram em Mercy por um breve momento antes de um sorriso discreto tocar seus lábios. O olhar de Isla seguiu o dele, e sua expressão suavizou-se com aprovação silenciosa.
Eles caminharam em direção aos dois.
— Aurelian. — Cumprimentou Gabriel.
— Pai. — Respondeu Aurelian calmamente.
Então, a atenção de Gabriel voltou-se totalmente para Mercy.
— Então Mercy é a mulher de quem todos estão falando. — Disse ele em um tom medido, mas caloroso.
Mercy sustentou o olhar dele respeitosamente.
— Boa noite, senhor.
Gabriel assentiu uma vez, claramente satisfeito.
— Boa noite, minha nora.
As palavras foram deliberadas e intencionais. E não passaram despercebidas.
Antes que Aurelian pudesse dizer algo mais, Gabriel aproximou-se de Mercy.
— Venha comigo. — Disse ele.
A mão de Aurelian apertou-se ligeiramente na cintura dela. Mas Gabriel não deu espaço para objeções.
— Preciso apresentá-la adequadamente. — Acrescentou ele.
Não havia margem para negociação em seu tom. Mercy olhou brevemente para Aurelian, incerta. Aurelian exalou silenciosamente e então a soltou.
— Vá. — Disse ele suavemente.
Gabriel a conduziu, com a postura ereta e passos confiantes. Enquanto se moviam pelo salão, as pessoas voltaram a atenção para eles novamente.
— Esta é minha nora. — Dizia Gabriel ao parar diante de um grupo de homens influentes.

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