A cabeça de Isla latejava dolorosamente. Era como se alguém estivesse golpeando suas têmporas por dentro. Quando tentou abrir os olhos, as pálpebras se recusaram a se mover, como se estivessem coladas. Sua garganta estava seca, e um leve gosto azedo de tequila ainda permanecia em sua língua.
Então as lembranças começaram a voltar: o choro, os gritos e a garrafa inteira de tequila que ela havia despejado na boca. Se lembrou de quanto chorou até ficar sem ar. Ela só queria que o mundo parasse de girar por uma única noite.
Com um suspiro fraco, sua mão subiu até o rosto. Os dedos esfregaram suavemente as pálpebras inchadas antes de tentar novamente abrir os olhos. Desta vez, obedeceram. Sua visão ficou turva no início por causa da luz forte.
Quando seus olhos finalmente se ajustaram, ela congelou. Não estava em seu quarto. Era o quarto de Gabriel. A constatação apertou seu peito. Ela não conseguia se lembrar de como chegara ali, mas ver Gabriel dormindo bem ao seu lado lhe deu a resposta de que precisava.
Landon devia tê-lo chamado na noite anterior.
Com cuidado para não acordá-lo, ela afastou lentamente o cobertor e saiu da cama. Seu corpo doía, a cabeça ainda girava levemente enquanto procurava o telefone. Quando não o encontrou no criado-mudo, olhou ao redor do quarto até seus olhos pousarem na bolsa de mão arrumada cuidadosamente sobre a mesa.
Ela a abriu e encontrou o celular dentro. Sem tirá-lo, fechou a bolsa em silêncio. Cada som no quarto, inclusive sua própria respiração, parecia alto demais. Moveu-se com cuidado em direção à porta, determinada a sair antes que Gabriel acordasse.
Mas antes que pudesse tocar na maçaneta, uma voz grave e rouca preencheu o quarto silencioso.
— Onde você pensa que vai, Isla?
O corpo inteiro dela congelou. Lentamente, virou-se. Gabriel estava acordado agora, a voz ainda carregada de sono, o olhar fixo e atento nela.
A expressão de Isla se endureceu. Ela não queria falar com ele. Não queria nem mesmo olhar para ele. Mas havia coisas que precisava deixar claras.
Gabriel sentou-se na cama, esfregando os olhos rapidamente antes de balançar as pernas para fora. Assim como ela, ainda estava vestido com as roupas do dia anterior. O cabelo castanho-escuro estava bagunçado, e havia marcas de cansaço sob os olhos. Ele deu alguns passos à frente, os pés descalços tocando suavemente o chão polido.
Os olhos azul-elétrico de Isla, agora avermelhados de tanto chorar, o observavam friamente. A raiva em seu olhar o desafiava a se aproximar.
Gabriel parou a cerca de um metro de distância, lendo o aviso em seus olhos. Ele queria alcançá-la, tocá-la, mas algo em sua expressão dizia para não fazê-lo.
— Me deixe esclarecer algo. — Disse Isla, em uma voz baixa e firme, que tremia levemente.
— Fique longe de mim. Não me interessa nada do que você tenha a dizer. Acabou, Gabriel.
Ela se virou novamente para a porta, tentando sair antes que as lágrimas a traíssem. Desta vez, Gabriel não a impediu. Ele ficou ali, imóvel, observando em silêncio.
A mão dela agarrou a maçaneta e girou, mas a porta não se moveu. Estava trancada.
Ela fechou os olhos em frustração, depois os abriu e voltou-se para ele.
— Isso não é brincadeira, Gabriel. Abra a porta agora! — Sua voz estava mais firme desta vez, autoritária, mas por baixo daquela força havia cansaço também.
— Não até eu poder cuidar de você… e me explicar. — Respondeu Gabriel. A voz era calma, mas a dor por trás dela era evidente. Ele fechou os olhos por um instante e passou a mão pelo cabelo já bagunçado, soltando um suspiro pesado. Quando abriu os olhos novamente, continuou:
— Você não vai sair deste quarto, Isla. Vá se arrumar, se refrescar. Vou providenciar seu café da manhã. Depois disso, nós vamos conversar.


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