O homem abriu a boca, querendo dizer algo, mas nenhuma palavra saiu. Ele viu o fogo nos olhos de Gabriel, o tipo de autoridade que ninguém ousava desafiar. A simples presença dele já era intimidadora.
Isla ficou paralisada. Os lábios se entreabriram para falar, mas ela desistiu. Os olhos de Betsy iam de um para o outro, arregalados de espanto, ainda segurando a taça nas mãos.
— Amor. — Disse Gabriel suavemente.
— Vamos embora agora.
O olhar dele se prendeu ao dela.
Amor? Desde quando? A mente de Isla disparou.
O coração perdeu o compasso não de emoção, mas de incredulidade. Ele nunca a chamava assim. Que jogo era aquele agora?
Mesmo assim, ela decidiu entrar na brincadeira. Não queria envergonhá-lo em público, nem na frente de seus sócios, nem na frente de estranhos que pudessem conhecê-los. Afinal, eles eram os Wyndham. Um escândalo ali se espalharia como fogo em palha seca.
— Está bem… tudo bem. — Murmurou Isla.
Virou-se para Betsy e forçou um sorriso.
— Querida, nos falamos na segunda.
Antes que Betsy respondesse, o braço de Gabriel se enrolou firme em sua cintura. Era um gesto possessivo. Quase sufocante.
Caminharam juntos para fora, o aperto dele nunca afrouxando.
Quando voltaram ao canto reservado de Gabriel, os três homens com quem ele estava reunido ainda os observavam de boca aberta, como se tivessem acabado de testemunhar algo inacreditável.
Gabriel não se importou. Virou-se para eles e disse, com voz firme:
— Senhores, finalizaremos essa reunião na segunda-feira. Preciso levar minha esposa para casa.
Sem explicações. Sem desculpas. Nada.
Ele nem sequer tentou esconder o ciúme que o consumia.
Para Gabriel, Isla não era apenas sua esposa, era sua posse.
E ele fez questão de deixar isso claro diante de todos.
Ao saírem do clube, Isla finalmente soltou um longo suspiro.
O ar fresco da noite tocou sua pele quando ela se virou para Gabriel.
— Gabriel, o que você está fa—
A pergunta morreu nos lábios.
Ele a silenciou com um beijo repentino, intenso.
Sua boca invadiu a dela com força, a língua exigente, dominando-a. A mão dele segurou a nuca dela com firmeza, impedindo-a de se afastar.
As pernas de Isla fraquejaram instantaneamente.
O coração disparou em ritmo frenético.
O braço forte dele a manteve firme, colada a seu corpo.
Ela não esperava aquilo, aquela fome, aquele ardor.
Não vindo dele.
O que deu em Gabriel?
Ela não sabia que, instantes antes, ele já havia notado dois paparazzi do lado de fora. Ele sabia o que eles queriam.
Sabia o que venderiam. Então, agiu rápido, deu a eles uma história. Um beijo que parecia amor. Uma cena que venderia a imagem perfeita de um casal apaixonado.
Melhor isso do que deixar que inventassem suas próprias versões.
Quando finalmente se afastou, Isla estava sem fôlego.
O peito subia e descia rápido, os lábios ardiam com o calor do beijo.
Gabriel a olhava com calma, como se tivesse planejado tudo desde o início.
Ele ergueu as mãos e, com cuidado, prendeu uma mecha solta do cabelo loiro dela atrás da orelha.
Os dedos deslizaram devagar, ajeitando o vestido.

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