MELISSA
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TRÊS ANOS DEPOIS.
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Parece mentira, mas já se passaram três anos desde o dia do nosso casamento.
E que dia! Dois meses depois da bênção dos meus pais, o Diego resolveu fazer a maior festa que Fortaleza já viu. Eu, que sempre fui meio desligada para essas coisas de luxo e ostentação, me deixei levar pelo momento, afinal, casamento só acontece uma vez na vida, né? Pelo menos, era o que desejava.
O lugar escolhido foi um salão gigante, com lustres que pareciam ter saído direto de um filme de época. Flores por todos os lados, luzes que deixavam tudo mais mágico, e gente bonita demais, até demais pra mim, confesso. A Rayssa foi minha única madrinha. Como ela sempre foi minha parceira de guerra, não tinha como ser diferente. O Demétrio, que sempre me fez rir nos momentos mais difíceis, foi o padrinho, apesar dele ser o melhor amigo do Rodrigo.
Eles fizeram a festa mais leve, engraçada e acolhedora que alguém poderia querer.
Naquele dia, acordei com um buquê lindo de rosas esperando por mim. Não era do Diego, era do Rodrigo. Sim, o Rodrigo. Junto com o buquê, havia um cartão escrito à mão, e eu nunca vou esquecer aquelas palavras...
"Querida Mel, obrigado por ter me ensinado tanto. Hoje, vendo você realizar seus sonhos, meu coração se enche de paz. Você transformou suas dores em degraus para a felicidade, mesmo que eu não tenha estado lá para isso. Gostaria de estar ao seu lado, aplaudindo essa nova fase, mas acho que essa é a melhor forma de dizer adeus. Não aquele adeus de "Nunca mais nos veremos", mas o adeus que significa: "Você merece o mundo". A gente se vê por aí, nessas estradas da vida, compartilhando alegrias com um olhar de gratidão. Por tudo que aprendemos juntos, brindo a você, aos novos amores e aos nossos recomeços. Um abraço, Rodrigo."
Chorei naquele instante. Foi um adeus tão bonito, tão maduro, e ao mesmo tempo tão cheio de esperança. Ele não estava mais no meu caminho, só na minha história.



Nossos olhares se cruzaram, um instante curto, mas cheio de significado. Eu lembrei daquelas palavras do cartão no dia do casamento e sorri, por dentro e por fora.
Rodrigo retribuiu o sorriso e, discretamente, levantou a taça.
Um brinde a nós, pensei, embora ele não tenha dito isso em voz alta, era exatamente a forma dele me lembrar de suas palavras no dia do meu casamento.
Senti uma alegria genuína por vê-lo feliz, livre das amarras do passado. A vida seguiu, para ele, para mim, para todos nós.
E ali, naquele momento, com Diego ao meu lado e o mar como testemunha, eu soube que finalmente estava exatamente onde deveria estar.
Lutar por mim mesma, foi o meu maior ato de coragem.

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