Perdemos a ambulância de vista, que ultrapassava todos os sinais, enquanto a gente era obrigado a esperar.
Cheguei ao hospital quase sem forças, o coração batendo descompassado e as mãos suadas de tanto nervosismo. O corredor era frio e iluminado por uma luz branca que parecia refletir todo o medo que carregava. O som dos passos ecoava, misturado ao murmúrio distante das conversas dos funcionários e ao apito constante das máquinas. O ambiente estava carregado de angústia e expectativa.
Mãe: Cadê ela?
Pyter: Levaram para a sala de emergência. Isso só pode ser um pesadelo.
Minha mãe, estava ao meu lado, tentando segurar o caos que eu sentia por dentro. Pyter, permanecia calado demais para o meu gosto, com o olhar fixo no chão, os punhos cerrados.
Finalmente, um médico saiu da sala de emergência, com uma expressão séria, mas não totalmente sombria.
Pyter: E então doutor? Ela vai ficar bem?
Médico: O acidente foi grave, mas conseguimos estabilizar a Yanka. Agora precisaremos realizar alguns exames para verificar se há alguma lesão interna, especialmente na cabeça e na coluna. É importante descartar qualquer dano que possa comprometer a recuperação dela.
A espera pelos resultados dos exames foi uma eternidade. Cada instante me consumia, como se o tempo tivesse parado para me punir.
Depois de um longo tempo de espera, Pyter se virou para mim, e a tensão no rosto dele me fez engolir em seco.
— Rodrigo...
Ele começou, a voz tensa, quase um sussurro cortante. Antes de tudo isso, houve alguma coisa? Algo que eu precise saber? Vocês dois conversaram antes dela ir embora?
Eu hesitei, sentindo o peso da verdade caindo como uma pedra no meu peito.
— Nós... discutimos. Eu coloquei um fim na nossa relação.
As palavras saíram duras, sinceras, mas carregadas de dor.
Pyter ficou imóvel, o rosto vermelho como se estivesse contendo uma ira que ameaçava explodir. Minha mãe percebeu a tensão, e apertou o braço dele, tentando acalmá-lo.
Mãe: Meu amor, tenha calma. Agora não é hora de raiva.
Disse com voz firme, mas gentil.
Foi então que o médico retornou, agora com um sorriso tímido, que fez meu coração pular.
Médico: Tenho boas notícias.
Anunciou.

Eu não conseguia parar de chorar. A culpa era gritante em mim.
— Eu fui um imbecil, eu estava com tanta raiva, que não consegui pesar direito as coisas. Você não tem ideia do quanto você é importante pra mim. Eu tive tanto medo de...


Quero que a gente faça valer cada segundo que tivermos, porque, apesar de tudo, eu sempre te amei. E agora eu quero que esse amor seja livre, forte, real. Já chega de perder tempo, eu quero você, eu quero nós dois... juntos.
Eu fiquei sem palavras, eu a beijei, com uma mistura de lágrimas e felicidade.
Yanka: A minha cabeça está doendo, o meu corpo parece estar todo quebrado, como se um caminhão tivesse passado por cima, mas eu digo com toda certeza, Rodrigo, que o meu coração está inteiro, porque você está aqui comigo.
— Você é a mulher da minha vida, Yanka. Só você.
Falei, voltando a beijá-la.
A partir desse momento, uma única certeza reverberava no meu coração: A que ela seria a mulher com quem eu compartilharia todos os anos da minha vida.

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