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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 284

(Ponto de Vista de Greta)

Um rosnado escapou de mim, rasgando o ar.

— Nunca mais me compare com aquela vadia!

— Então para de agir como ela. Você teve motivos pra manter distância dos caras por muito tempo, isso ninguém nega. Mas o Finn não é eles. Ele sente que tem algo errado. E não é o idiota que eu arranquei de cima de você dez anos atrás. Ele nem encosta em você sem permissão, e, agora que eu tenho a Ken, eu sei o quanto esse autocontrole é difícil. O Finn é praticamente um santo.

— Santo ou não, ele não vai me querer quando entender que eu não posso dar "aquilo" pra ele. — Falei, fazendo um gesto vago na direção do quarto.

— Dar o quê, exatamente? Você vive repetindo isso, mas não significa nada sem contexto.

— Filhos, Ryker! Uma família. Eu não posso dar isso pra ele. — Lutei contra o choro. — Aqueles desgraçados levaram mais do que a minha virgindade, e o Finn não vai me querer quando souber a verdade. — Limpei a única lágrima que escapou com brusquidão, evitando encarar a pena nos olhos dele.

— Ele me contou sobre o seu pesadelo na caverna. Disse que sabe que alguém colocou as mãos em você e até perguntou o que poderia fazer pra te ajudar. Ele já sabe o suficiente… E ainda está aqui, tentando. Como você tem tanta certeza de que não pode ter uma família?

— Aquela curandeira que você me apresentou quando eu cheguei na Lua Sombria disse que tem tecido cicatricial demais pra eu conseguir carregar um filhote. Aqueles desgraçados causaram dano demais pra eu me recuperar. — Puxei o ar devagar, soltando aos poucos. Só o Ryker me enxergava assim. Afinal, foi ele quem me achou destruída e me ajudou a me reconstruir, peça por peça. — Olha pra ele… Ele merece ter um filhote dele. — Apontei para o meu companheiro, que parecia ridiculamente adorável dormindo, com as duas crianças grudadas nele, disputando contato mesmo inconscientes.

— Você ao menos perguntou se isso importa pra ele? Ele também já passou por muita coisa, e talvez isso nem esteja nas prioridades dele.

— Mas ela me deixou dar banho nela… — Interrompi.

— Porque ela sente que você é a companheira dele… Que é uma extensão dele. Eu acho que os pais dela não sobreviveram, e ela é pequena demais pra ficar sozinha. O instinto dela escolheu o Finn e, aparentemente, você também, como protetores. Como guardiões.

— Ah, Deusa… — Murmurei, sentindo o peso daquilo. "Aquela menina…"

— Ainda preciso confirmar melhor, mas tenho quase certeza de que é isso. Então... Vai lá, fica com a sua família e dá uma chance pra ele. Porque, do jeito que as coisas estão, você pode acabar presa a ele pelos próximos quatorze anos. — Ryker me empurrou para dentro do quarto, fechando a porta logo em seguida e me deixando na escuridão.

Depois de algumas respirações trêmulas, cedi e subi na cama ao lado do Gabriel. "Pelo menos tinham deixado um pedaço de coberta pra mim…" Me joguei de lado, buscando qualquer posição que me fizesse sentir melhor, mas bastou o Finn entrelaçar os dedos nos meus para um arrepio percorrer meu corpo inteiro. O choro veio de novo, quase escapando, só que ele segurou minha mão com cuidado. "Ele já tinha sacado tudo…"

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