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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 323

(Ponto de Vista de Elara)

— Isso foi uma péssima ideia. Eu devia ir embora. — Tentei, sem muita força, me soltar da espécie de prisão formada pelos braços dele e pela porta.

— E você vai pra onde? Tem alguém com quem você preferiria ficar? — Como ele não chegou mais perto, ficou claro que não era flerte, só que a irritação dele continuava ali, quase palpável, e naquele momento estava ainda mais intensa.

— Não, eu… Ah… Isso só não é uma boa ideia. Eu dou um jeito. — Virei de novo, tentando sair daquele quase não-aperto, mas então pisquei ao perceber que, tirando o momento em que me puxou para dentro do quarto, ele nem tinha me tocado. No entanto, ele ficou me olhando fixo, como se estivesse procurando alguma resposta nos meus olhos. O olhar dele, castanho-escuro, era profundo de um jeito que dava até um certo desconforto. Ele respirou fundo e, quando soltou o ar, o calor veio direto no meu rosto, bagunçando uns fios soltos… E, de alguma forma, ele acabou percebendo alguma coisa na minha expressão.

— Tudo bem, Elara. — Ele se afastou, recuando um passo. — Você pode ficar. Só me dá um minuto para terminar aqui. — E, logo em seguida, saiu andando. Ver ele de costas era tão tentador quanto encarar de frente e foi aí que caiu a ficha de que eu estava há tempo demais sem ninguém, já que o simples movimento dos músculos nas costas dele andando não deveria me afetar daquele jeito.

'É normal você se sentir excitada com tudo que o seu companheiro faz.'

'Não está ajudando em nada.'

'Só estou apontando o óbvio que você insiste em ignorar… Tipo o fato de que o seu companheiro é absurdamente gostoso. Olha pra ele!'

'Eu estou olhando, sua idiota.'

'Tem certeza que seus olhos estão abertos? Faz quanto tempo que você não vê um corpo assim e disponível? Esse homem tem músculos nos músculos!'

'Você é completamente tarada, sabia?'

'Não mais do que você, querida.'

'Ele não me suporta. Isso está bem claro.'

'Ele ainda não invadiu o seu espaço pessoal à força. Isso é completamente diferente. A gente não pode dizer o mesmo daqueles inúteis que apareceram recentemente. Ele está se mantendo afastado de você do mesmo jeito que você está se mantendo afastada dele. Aliás, vocês dois têm uns problemas sérios para resolver.'

— Você pode ficar com a cama. — A voz do Ben me arrancou da discussão mais idiota que já tive com a minha loba.

— Ah, não. O chão está ótimo pra mim. Eu não quero…

— Elara… Fica… Com… A… Cama. — A voz dele veio firme, carregada de comando, e um arrepio percorreu meu corpo inteiro, me deixando parada, olhando pra ele de novo.

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— Já está demorando demais pra você e a sua loba arrumarem uma desculpa decente. Vai dormir, Alfa. — Ele não disse mais nada, apenas apagou as luzes e se moveu pelo quarto quase em silêncio. Então ouvi o farfalhar de um travesseiro e de um lençol, e depois só restou o som suave da respiração dele.

Ficamos ali, deitados, acordados, mas em silêncio, porque havia tanta coisa que poderíamos ou deveríamos falar. Só que como eu poderia começar uma conversa com "não é você, sou eu" ou "você pode esperar enquanto eu resolvo toda essa bagunça de alcateia e da minha vida"? Isso não era justo com ninguém, mas, ainda assim, nenhum de nós parecia com pressa de reivindicar o outro, portanto talvez fosse algo que pudéssemos discutir… Depois.

'Covarde.'

'Idiota.' Revirei os olhos mentalmente para a minha loba.

Nem percebi quando apaguei, o que já era estranho por si só, porque normalmente eu demorava horas pra dormir, com a cabeça a mil, repassando tudo que tinha acontecido no dia: tudo que ainda precisava resolver, os pedidos da alcateia, as tarefas do dia a dia e, claro, aquele maldito problema com os intrusos. Mas, naquela noite, eu apaguei rápido demais e acordei me sentindo energizada, abrindo os olhos para o primeiro sinal de amanhecer. Contudo, me recusei a virar para olhar o Beta dormindo no chão, pois minha loba não precisava de mais incentivo, já que ela achava até o ronco leve dele adorável.

No fim, escolhi correr pela fronteira, sem comitiva, como eu queria desde antes dos caras do Arco Lunar de Prata darem as caras, uma vez que eu precisava focar e entender onde tinha errado. E, com isso, agradeci minhas habilidades silenciosas de Alfa por sair do quarto dele sem ser percebida.

— Jax! Dev! Temos uma ronda para fazer. Vamos!

— Eu achei que você ia precisar de um pouco mais de descanso depois de uma noite divertida com o seu companheiro.

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