(Ponto de Vista de Ben)
— Continua até a parede do penhasco? — Fiz a pergunta, e ela me lançou um olhar por cima do ombro, daqueles que te fazem parecer um idiota… No fim, acabei sorrindo. E não lembrava da última vez que tinha sido um sorriso de verdade. — Eu só perguntei. — Ela soltou um riso abafado e seguiu em frente.
Quando chegamos ao bosque, todos os rastros, exceto um, desapareceram. "Ela estava certa… Era uma fêmea, mais ou menos da nossa idade. E se fosse uma intrusa, era algo recente…" O cheiro dela não tinha aquele tom doce e podre, como matéria em decomposição, que normalmente acompanhava os intrusos. Mas também não era o cheiro de alguém de alcateia.
— Ali. — Apontei para uma pequena abertura na rocha, onde a Elara passaria com facilidade… Eu já teria que me espremer.
Avançamos em silêncio, atentos a qualquer sinal de que alguém estivesse observando a entrada. Talvez ela tivesse apostado que a quantidade de rastros falsos manteria o lugar seguro. Ou talvez houvesse mais dispositivos de escuta. A gente ainda não tinha resolvido isso… Afinal, eu só tinha encontrado mais um desde a primeira descoberta. Quem quer que estivesse por trás disso deve ter percebido que tínhamos encontrado os primeiros, deixou outro como teste e desistiu… Ou simplesmente ficou melhor em esconder.
— Pronto? — Elara perguntou.
— Depois de você.
— De todos os momentos em que você me faz esperar enquanto investiga, fareja e enrola… Agora você não vai discutir comigo e vai me deixar entrar direto no desconhecido?
— Exato. — Sorri de novo… E, dessa vez, ela retribuiu.
Ela se espremeu pela passagem estreita, segurando o riso enquanto eu lutava pra passar com o meu tamanho. Minha camiseta rasgou em alguns pontos, e eu já sabia que sairia dali cheio de arranhões. No entanto, nem tive tempo de pensar muito, porque um cheiro ácido me atingiu com força. Era um cheiro de conservante… Como quando a Luna Beth fazia conservas.
— Que porr* é essa? — Elara sussurrou.
— Seja lá o que for… Já está acontecendo há um tempo. — Respondi, olhando para as fileiras de prateleiras cheias de suprimentos. Frascos com pós, garrafas com líquidos coloridos, tudo rotulado… Mas com símbolos, não palavras. — Alguém está se protegendo de todos os lados. — Murmurei.
— Mas pra quê tudo isso? — Ela perguntou, se aproximando de uma mesa organizada com precisão cirúrgica.
'Ben, temos algumas informações.' A voz do Chance veio pelo vínculo.
'Fala.'
'Três adolescentes da alcateia do Junior foram encontrados mortos nos últimos seis meses... E não foi ataque. Outros dois desapareceram na semana passada.'
'Valeu, Chance. Já estamos voltando.'

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...