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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 373

(Ponto de Vista de Elara)

Fiquei completamente em silêncio, paralisada. Eu só estava tentando comer para fazê-lo me deixar em paz, mas minha mão congelou no meio do caminho até a boca. “Como eu competia com aquilo?” A ideia perfeita de mulher dele era uma ex-humana que ele conhecia a vida inteira, que agora tinha uma loba e ainda por cima era a Luna da maior alcateia de que eu já ouvi falar. E, aparentemente, uma santa, com bondade saindo por todos os lados como uma maldita fada madrinha. “Ótimo, zero pressão!”

Respirei fundo para me acalmar, então abaixei a outra metade do sanduíche de volta no prato e o deixei de lado. Afinal, eu não podia competir com um passado do qual não fiz parte. Eu vinha carregando minha raiva em fogo baixo constante desde a morte do meu pai e desde que capturamos o Jeff. E talvez fosse por aí que eu deveria começar. Depois, talvez a gente pudesse ir dar uma olhada nos prisioneiros. Com sorte, o Ben ficaria irritado o suficiente comigo pra esquecer que queria me mandar descansar.

O intruso e o Jeff já tinham visto dias melhores, isso era óbvio, mas nossos curandeiros tinham desenvolvido um interesse especial em mantê-los vivos o suficiente para serem torturados no dia seguinte, depois de descobrirem que eles eram responsáveis pela morte dos meus pais. Foi assim que descobri que todas aquelas pessoas gentis que cuidavam da nossa alcateia também tinham um lado sombrio… E agora eu sabia que jamais desejaria cruzar qualquer uma delas.

— Sua vez. — Ele soltou uma risada baixa, me tirando dos pensamentos. “Por que aquele som me arrepiava?” Ajustei o travesseiro sob a cabeça enquanto me deitava de lado, tentando ficar confortável. Tínhamos chegado a um acordo, ele falaria sobre a loira, a Kennedy, se eu deitasse para descansar… — E fica exatamente onde está.

Por mais que me irritasse falar sobre o Jeff e os intrusos, permaneci no lugar enquanto contava tudo o que conseguia lembrar da última semana. Muita coisa tinha acontecido, e, em vários momentos, ele me interrompeu para fazer perguntas que eu mesma não tinha tido clareza para formular.

‘É por isso que precisamos dele.’ Minha loba ficou mais ousada em suas conclusões.

‘Para. Eu estou dando uma chance a isso, mas precisamos focar. A alcateia está sob ameaça, e ele está aqui com a gente. Ele poderia muito bem estar com o Alfa dele, a um dia de distância, enquanto nós ficamos aqui lidando com tudo isso.’

‘Você é a Alfa agora, e os anciões, ou melhor, os “anciões pau no cu”, estão lidando com o problema deles com uma mulher no comando. E, até agora, têm sido úteis e leais.’

‘Eu entendo, mas primeiro eu preciso dar um jeito nesses intrusos antes de lidar com o vínculo. Não sei nem colocar em palavras, só sei que isso é algo que eu preciso fazer por mim, como Alfa… Como a Alfa. Tenho a impressão de que, se eu puxar ele para perto agora, todo mundo vai se encostar nele e acabar me deixando de lado.’

‘Você sabe que ele não deixaria isso acontecer.’

‘Talvez.’

— O quê? — Minha voz saiu em um sussurro leve, quase sem ar.

— Sorrir. — Ele me encarou por um segundo, e parecia que todo o ar tinha sumido do ambiente, mas, tão rápido quanto veio, o momento se quebrou quando ele pegou meu travesseiro, colocou sob a própria cabeça, se esticou no meu sofá e fechou os olhos. — Agora dorme, já está tarde.

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Fiquei ali, deitada de lado, observando a respiração dele. No fim, precisei admitir que meus nervos não estavam tão destruídos com ele ali no quarto, e parecia que uma névoa tinha se dissipado da minha mente. Eu já estava refazendo mentalmente uma lista de coisas que queria revisar, informações que vinha analisando durante a semana, mas que não tinham feito sentido até então. Bastaram algumas horas com ele ali para que meu cérebro resolvesse finalmente funcionar. Eu não sabia como me sentir em relação a isso, e essa sensação de dúvida era completamente nova para mim. Até porque sempre tive certeza das minhas decisões, sempre fui confiante, e então ele apareceu e meu corpo percebeu que faltava algo... Agora que sabia como era se sentir completa, não conseguia mais voltar atrás.

Talvez fosse melhor eu só ficar ali, colocando a cabeça no lugar e esperando ele apagar de vez, para então ir para o escritório trabalhar. Mesmo assim, estar ali por um tempo ainda era bom, nem que fosse só por ele estar por perto. “Droga, esse vínculo de união estava me fazendo agir como uma adolescente apaixonada. Uma distração pura… E completamente inútil!”

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