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A Luna Indesejada do Alfa romance Capítulo 383

(Ponto de Vista de Elara)

Seguimos dirigindo para o noroeste em um silêncio confortável. Depois de vinte minutos, ele ainda não tinha dito nada, mas parecia mais relaxado quanto mais nos afastávamos do Richard e do Sebastian.

— Vai abrir o jogo sobre esse passeio ou o plano é me desovar no meio do nada e eu sou a última a saber? — O olhar dele veio direto para mim, surpreso e sério. No entanto, ergui uma sobrancelha, esperando.

Ele puxou o ar e soltou devagar, claramente irritado.

— Recebi uma mensagem do Tommy e do Alfa James. Temos uma reunião.

— E você não pensou em avisar? Me atualizar, me preparar, qualquer coisa? Ou queria que eu chegasse lá sem saber de nada, parecendo uma idiota? — Apoiei o cotovelo na janela, sustentando o rosto com a mão.

— Eu não tinha certeza se você aceitaria. — Ele deu de ombros.

— Bem… Eu estou no carro com você, então claramente confio em você. Talvez pudesse me dar o mesmo respeito. — Respondi, irritada, cruzando os braços e voltando a encarar a estrada. Eu realmente achei que a gente já tinha se acertado de alguma forma. Ele estava ali, já fazia parte da minha alcateia, e eu tinha dado um passo gigante ao confiar nele. Mesmo assim, apesar de já contar com ele em certas coisas, ainda tinha muita coisa pra gente construir. E, na minha cabeça, aquilo era o mínimo que a gente dividia.

— O nome dela é Briana. Ela é uma bruxa da natureza e líder do grupo Verdejante. Está tão interessada quanto nós em eliminar ou conter o grupo Brasas e Cinzas. Se é para nos ajudar ou para proteger o próprio povo, ainda não sabemos. E isso é tudo o que eu sei.

— Então a gente vai se encontrar com uma bruxa, sem apoio nenhum, que pode ou não querer nos ajudar? — Soltei, ainda sem olhar para ele.

— Quem disse que eu não trouxe apoio? — Ele rosnou baixo, e meu corpo inteiro reagiu, mesmo com a irritação ainda ali.

— Você não disse nada além de que nós dois iríamos encontrar a líder de um grupo. — Retruquei.

— Com tudo o que está acontecendo, você realmente acha que eu te levaria para uma situação desconhecida sem planejamento? Achei que você já me conhecesse melhor do que isso. Quantas vezes saímos para patrulha, para reconhecimento, exploramos cavernas… Sem levar equipe?

Ele não estava errado. Ele sempre planejava tudo, como um velho prevenido, esperando o pior a cada saída da casa da alcateia. No entanto, eu estava cansada de presumir que as pessoas estavam fazendo o que deveriam.

— Então quem está com a gente? — Mal terminei de falar, e minha mente foi invadida.

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‘Olá, chefe. O grandão disse que você está dando trabalho pra ele.’ Jax riu pelo vínculo. “Sério? Eles estavam tendo conversas escondidas e ainda por cima me provocando?”

‘Dá um tempo pra ele, vai.’ Dev completou, como se eu estivesse discutindo com eles, não com o Ben.

‘O que ele contou pra vocês sobre essa missão?’ “Se eles soubessem mais do que eu, o Ben ia dormir na varanda hoje, algemado com prata…”

‘Uma líder de bruxas, dessas de natureza, quer conversar sobre o nosso problema com bruxas.’ Senti o desinteresse no tom do Jax. ‘É só isso que sabemos.’

‘E vocês dois estão tranquilos com isso? Entrar em uma situação desconhecida com o novo Beta… Sem falar comigo antes?’

Olhei ao redor, vendo apenas floresta.

— Como você sabe que ela está aqui?

— Você não tem saído em patrulha com os caras ultimamente?

— Tenho, mas também tive outras coisas para resolver. Tipo traidores na minha alcateia. — Respondi, enquanto avançávamos pelo mato fechado. Não havia trilha alguma, o que significava que quase ninguém passava por ali. Ainda assim, havia algo incrivelmente tranquilo naquele pedaço intocado da floresta.

— Você está sentindo. — Girei a cabeça rápido e encontrei os olhos dele presos em mim. Assim, me embananei ao andar, quase caindo, mas ele me segurou a tempo. “Eu só perdia o equilíbrio desse jeito quando estava perto dele, o que só reforçava que eu precisava me lembrar de quem eu era…”

— Sentindo o quê?

— Está na sua cara. Você sente a magia ao redor. Deve ter algum tipo de barreira aqui. Ainda estou aprendendo com o que o Tommy descobre, mas também dá para perceber pelo cheiro. O ar fica limpo, quase com um toque de ozônio… E um gosto metálico.

Fechei os olhos e me concentrei. Veio na hora. O cheiro, o gosto… E aquela sensação de calma no ar. “Interessante…”

— Isso tudo é magia mesmo ou é só coisa dela? — Perguntei, curiosa, me deixando levar pela sensação.

— É um efeito da magia da natureza. — Uma voz suave e melódica surgiu ao nosso redor. Era calma, quase hipnotizante. Eu poderia ficar ouvindo aquilo para sempre… O que tornava ainda mais perigoso.

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