(Ponto de Vista de Elara)
Depois de passar tempo demais no banheiro e já não ter mais nada para pinçar, aparar, escovar ou hidratar, saí. O quarto estava escuro, e ouvi a respiração suave do Ben. Era constante o suficiente para indicar que ele provavelmente estava dormindo de verdade… Ou apenas fingindo muito bem.
Logo, subi na cama, mas continuei inquieta. Não consegui me ajeitar, e minha mente simplesmente não desligou. Pensamentos demais corriam de um lado para o outro, batendo como uma bola de pingue-pongue e me dando dor de cabeça. Intrusos circulando pela minha alcateia, vendendo drogas para os filhotes. Bruxas fora de controle ajudando esses intrusos na tentativa de assumir poder. Meus pais. O grupo que eu permiti entrar em nossas terras. Membros da alcateia que não pensaram duas vezes antes de me trair, mesmo tendo trabalhado com o meu pai. Um companheiro que eu queria… Mas também não queria…
“Por que eu não podia ter um momento de respiro para organizar minha cabeça?” Perguntei em silêncio à Deusa da lua. E, no momento seguinte, senti as lágrimas queimarem atrás dos olhos. “Se esse era o peso de ser Alfa, por que meu pai nunca disse nada? Por que nunca me contou o quanto isso podia ser difícil? Passei metade da minha vida lutando e negociando, mas isso… Isso nunca foi algo sobre o qual conversamos.” Respirei fundo, trêmula, e então um calor começou a subir pelas minhas pernas, como mel envolvendo meu corpo inteiro. A tensão no meu peito se soltou enquanto puxei outro fôlego profundo, e minhas pálpebras ficaram pesadas. “O que era isso?” No entanto, antes que eu pudesse olhar ao redor para entender o que estava me envolvendo como um cobertor quente e macio, tudo escureceu.
Acordei e o quarto estava vazio, mas o cheiro do Ben ainda estava ali, bem fresco, então ele tinha saído fazia pouco tempo. “Provavelmente, ele ainda devia estar irritado comigo por eu não ter falado com ele na noite anterior. E eu nem sabia como explicar que não queria forçar ninguém a me seguir, ainda mais alguém que não teria problema nenhum em fazer exatamente isso… Eu queria liderar a minha alcateia do meu jeito, e ninguém, nem mesmo meu companheiro, podia dizer o contrário.” Revirei os olhos e me levantei. “Se ele quisesse ficar bravo, problema dele, eu lidava com isso depois. Ele mesmo já tinha deixado claro que não ia sair de perto, e, com tanta coisa acontecendo, eu nem sabia o que ele esperava de mim…”
Seguindo as expectativas da minha mãe, me arrumei com cuidado naquela manhã. Ao encontrar a líder de outro grupo, era de se esperar o respeito ao se esforçar na aparência. Era tanto um gesto por eles quanto por mim mesma. E eu teria feito o mesmo no dia anterior, se soubesse quem iríamos encontrar. Agora, eu só esperava que conseguíssemos conversar rápido e partir direto para o que importava: livrar minha alcateia de qualquer feitiço ou maldição que estivesse nos prejudicando. Briana, por sua vez, não decepcionou. Ela chegou pronta para trabalhar, acompanhando meu ritmo.
Havia outra mulher com ela, posicionada logo atrás do ombro direito, exatamente como Ben ficava ao meu lado. Eu não imaginava que as bruxas usassem o termo “Beta”, mas ela devia ocupar algum papel equivalente dentro do grupo. No fim, Briana não a apresentou, e eu não quis pressionar. “Talvez os protocolos delas fossem diferentes…”
Abri um mapa sobre a grande mesa da sala de jantar e mostrei a Briana os limites gerais e os detalhes do nosso território. Ben complementou com as áreas onde vimos mais atividade, enquanto nós dois relatávamos sobre a caverna que encontramos à beira da água, perto do território do Junior.
Depois de analisar o mapa por vários minutos, trocando um diálogo silencioso com a mulher ao lado, Briana escolheu uma área onde queria começar a investigar pessoalmente.
— Vocês vão derrubar alguma barreira ou desfazer feitiços hoje? — Ben perguntou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...