(Ponto de Vista de Elara)
Nós nunca recebemos muita gente quando eu era mais nova. Claro, alguns Alfas e suas equipes passavam por aqui de vez em quando, mas nunca tivemos um grande evento que realmente reunisse todo mundo. Diante disso, achei que não fosse gostar de ter tanta gente dentro da minha casa, porém… Estava sendo surpreendentemente bom. Me peguei parada de lado no grande salão de jantar, observando enquanto Melanie e suas ômegas organizavam várias mesas longas, apreciando a cena. Elas moveram a mesa dos meus pais para a cabeceira, posicionando-a perpendicularmente às demais, onde Briana, Marietta, Jax, Dev, Ben e eu nos sentamos…
Aquilo parecia uma verdadeira sala de refeições comunitária.
— Eu vi isso. — Jax rosnou ao meu lado.
— Do que você está falando? — Não saí do lugar, apenas virei o rosto na direção dele.
— Você até tentou esconder, mas começou a sorrir. Talvez quem não te conhece não tenha percebido, mas estava lá.
— Cala a boca, idiota. — Foi tudo o que consegui dizer. No entanto, não neguei. Não para Jax nem para Dev. Eles tinham passado por tudo comigo, então fingir seria praticamente um insulto à inteligência deles.
— E cadê o seu garoto? Percebi que ele não ficou grudado em você a noite toda.
— Do que você está falando? Ele jantou comigo. A gente não precisa ficar colado o tempo inteiro. Nem todo mundo é igual você e o Dev. — Precisei me segurar para não demonstrar desconforto.
— E como ele está lidando com essa coisa da magia? Pelo que eu vi, ele não curtiu muito ser o único afetado hoje.
— Você curtiria, no lugar dele? — Virei para encará-lo. — Quer dizer, ele treinou a vida inteira para assumir esse papel, e ele é bom no que faz. Um pouco mandão demais, mas isso deve ser por vir de uma alcateia maior. E aí chega aqui, provavelmente achando que isso ia ser fácil, e leva uma surra de algo que não consegue controlar nem entender. Eu também ficaria irritada. E ele está preso aqui. — Torci para que aquela última parte não tivesse soado tão… Ressentida quanto parecia na minha cabeça.
— Como assim “preso”? Ele veio por vontade própria. — Tentei interromper, mas Jax continuou. — Ele escolheu fazer parte dessa alcateia. — Outra tentativa falhou. — E ele segue você e suas ordens, mesmo quando discorda. A lealdade dele está aqui, com você, não importa o quanto você tente afastá-lo.
— Eu não estou…
— Ah, por favor. — Ele soltou com desdém, e aquilo doeu. Não pela fala, mas porque eu sabia que estava negando a verdade. — Ele é tão cabeça-dura quanto você e não vai simplesmente sair correndo com o rabo entre as pernas, mas todo mundo tem um limite. Não força ele a chegar lá, porque você não vai gostar do que vai ver.
— E como você tem tanta certeza disso? — Evitei encarar ele e fiquei só olhando o vai e vem das pessoas. Afinal, não adiantava insistir, eu sabia que ele não ia responder. Tinha rolado alguma coisa quando éramos mais novos, pouco depois da idade de encontrar companheiros. E nem Jax nem Dev falavam disso, nem comigo, mas aquilo tinha abalado o vínculo deles por um bom tempo.
— Eu não sei onde o Ben está. E não faço ideia sobre essa coisa da magia. Briana e Marietta conversaram com o grupo, e o melhor que temos até agora é a teoria inicial sobre a idade dele. Ele é o único de nós com menos de vinte e um anos.
— Pense nisso como torres de sinal de celular. — Briana respondeu. — Funcionam como núcleos que emitem um sinal dentro de um raio, e, quando esses sinais se cruzam, acabam cobrindo tudo ao redor. Esses marcadores de sombra seguem essa lógica, criando uma rede pela alcateia inteira, disfarçando movimento, som e cheiro. Vocês já chegaram a perder contato com alguma patrulha?
— Não que eu saiba. Talvez Jax e Dev saibam mais. Eles cuidaram das patrulhas enquanto eu resolvia o problema com Beta, Gama e Delta. Por quê?
— Quero entender se esses marcadores são gerais ou específicos. Se forem gerais, qualquer um que entrar na área se tornaria impossível de rastrear. Se forem específicos para os intrusos, então me pergunto como uma rede tão ampla foi criada sem que ninguém percebesse a alteração na energia. Afinal, magia sempre deixa rastros para quem sabe sentir.
— Quer ir ver a caverna amanhã? — Perguntei, esperando que aquilo ajudasse a esclarecer tudo e provar que Ben e eu não estávamos imaginando coisas.
— Ainda não. Precisamos derrubar esses marcadores primeiro, e isso pode levar algum tempo. O que encontramos hoje estava escondido, mas não muito bem, o que me leva a acreditar que foi um dos primeiros que eles criaram.
A gente passou o resto da noite debruçado nas fronteiras da alcateia, quebrando a cabeça pra entender onde aqueles marcadores podiam estar. Quando finalmente fui dormir, estava acabada, mas, pela primeira vez em muito tempo, deitei sentindo que o plano fazia sentido.
Nem perdi tempo discutindo quando o Ben entrou no quarto e foi direto para o lugar dele no meu sofá. Não era ruim, eu até podia ter oferecido a cama, ainda mais vendo que ele estava decidido a ficar ali a noite toda, mas aquilo já era proximidade demais pra mim naquele momento. E eu não conseguiria lidar. No fim, apaguei com a cabeça e a minha loba brigando entre si sobre essa história de precisar de um companheiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
E a história da Kennedy + Ryker nunca mais voltou.......
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...