(Ponto de Vista de Ben)
Eu já tinha aceitado há muito tempo que magia não era a minha praia. Mas, naquela situação, qualquer habilidade sobrenatural cairia como uma luva... Pelo menos eu conseguiria fazer alguma coisa útil. Havia um bom tempo que eu, Jax e Dev não parávamos de andar de um lado para o outro. Do outro lado do muro, eu conseguia enxergar Elara e Eliza. Elas estavam tão perto, a poucos metros de distância, mas a barreira entre nós tornava tudo inútil. Por mais que tentássemos chamar a atenção delas e passássemos um tempão fazendo gestos, nada adiantava. No fim, nós três seguimos pela extensão inteira da parede, até sermos impedidos de continuar pelo limite da barreira da Fenda.
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Não havia como atravessar aquela barreira para buscar ajuda. Presos ali, éramos completamente imprestáveis para ela. E não existia castigo pior do que ficar assistindo sem poder fazer nada. Eu a via, assim como Eliza, envoltas por uma luz dourada coberta por uma espécie de névoa. Não sabia se Jax e Dev enxergavam a mesma coisa, porque nem sequer conseguíamos nos comunicar... Sem pensar, apoiei as mãos na parede de magia que me separava da minha companheira. E, logo, um frio intenso tomou conta das pontas dos meus dedos e subiu pelos meus braços em ondas, fazendo minha respiração desacelerar e acalmando um pouco a angústia que apertava meu peito.
— Eu sei que está tentando me ajudar, mas, agora, a melhor coisa para mim seria poder ter contato com a minha companheira e com o meu lobo. — Por algum motivo, aquela energia não me parecia completamente desconhecida. O problema era que eu nunca tinha tido qualquer contato com magia, então não fazia ideia de como interpretar aquela sensação. Por um instante, até cogitei que fosse mais alguma das gracinhas da Eliza. "Ai!" Assustado, virei a cabeça para todos os lados. E não encontrei ninguém ao meu redor. Enquanto isso, Jax e Dev seguiam caminhando ao longo da muralha.
— Você acabou de beliscar meu braço? — Pela primeira vez, observei a parede com atenção e podia jurar ter visto um brilho cintilar nela. — Você acabou de piscar para mim... Depois de me beliscar? — "Maravilha! Como se já não bastasse tudo o que estava acontecendo, agora havia uma entidade mágica sem corpo tirando sarro da minha cara." — Você consegue me ouvir? Tem como me fazer falar com o Jax, com o Dev... Ou pelo menos com o meu lobo? Com qualquer um? Afinal, o que você espera que a gente faça? Você me deixou imóvel no chão enquanto enchia minha cabeça com um monte de imagens sem sentido. Aí me permitiu chegar perto da minha companheira por dois segundos e, logo depois, me puxou de volta para cá. Sério... Qual é a lógica disso tudo? — Golpeei a parede translúcida com toda a força que tinha. No mesmo instante, uma mão invisível agarrou meu queixo e me obrigou a encarar minha companheira. Minha linda companheira seguia firme na direção da pessoa que ameaçava nossa alcateia, e pequenas faíscas cor-de-rosa escapavam lentamente das pontas de seus dedos.
Eu mal conseguia desviar os olhos dela quando alguma coisa me lançou para longe. Um brilho branco tomou conta da minha visão por completo. Parecia que minha cabeça estava submersa. Não havia som, não havia ar... Apenas aquele branco espesso cobrindo tudo. Então, num único instante, meus sentidos voltaram. Inspirei com força, quase sufocando, enquanto os gritos ao redor invadiam meus ouvidos. Meu corpo, porém, continuava entorpecido, pesado e lento para responder.
— Ei! Ben! Olha pra mim, cara! Ei! — Alguns tapas no meu rosto me ajudaram a focar em Jax. — Porr*, como é bom conseguir falar com você. Está machucado? — Ele começou a apalpar meus braços à medida que me examinou de cima a baixo. Naquele instante, eu ainda mal conseguia me mexer.
— Mas… Que merd* foi aquilo que atingiu a gente? — Segurei o pulso dele e me apoiei para conseguir me sentar, ainda meio zonzo.
— Acho que foi a Juliette. — Olhei ao redor e havia lobos e bruxas por toda parte. — Não estou vendo ela. Onde está o Jason?
Ele me puxou completamente para cima, virou meu corpo e apontou.
— Fazendo exatamente a mesma coisa que nós estávamos fazendo há alguns minutos. A diferença é que agora conseguimos conversar uns com os outros.
Vi um dos meus melhores amigos andando de um lado para o outro diante da parede mágica que mantinha minha companheira presa com Eliza. Assim, inclinei a cabeça, e Jax me ajudou a caminhar até ele.
— Que porr* é essa, cara? Por que não conseguimos entrar lá com elas? — Ele me encarou com os olhos avermelhados e completamente inquietos.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Luna Indesejada do Alfa
E a história da Kennedy + Ryker nunca mais voltou.......
Parecis legal. Mas ai começa o autoritarismo e machismo e tudo perde a graça e fica mais do mesm9...