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A Luna Meio-Sangue romance Capítulo 21

Ponto de vista de Klaus.

Cinco minutos depois, já havíamos chegado ao hospital do bando. Ella foi direto para o centro cirúrgico para se preparar para a cirurgia e eu fui levado para uma sala privada na lateral. Havia uma enfermeira esperando por mim lá e o processo de coleta de sangue começou imediatamente. Joseph ficou do lado de fora para vigiar Ella.

Quando terminei, saí e encostei na parede ao lado de Joseph. Estávamos do lado de fora do centro cirúrgico.

Cerca de dez minutos depois, uma enfermeira veio em nossa direção.

“Alfa Klaus, beta Joseph, o Dr. Hunt precisa de vocês lá dentro”, a enfermeira fez sinal para que a seguíssemos.

Eu desabei. Ella morreu antes que ele pudesse começar? Olhei para Joseph e vi que ele estava pensando a mesma coisa.

A enfermeira nos deu aventais médicos esterilizados e máscaras faciais para colocarmos. Tomei isso como um bom sinal. Se ela estivesse morta, eles não se incomodariam com a esterilização. Assim que terminamos de nos vestir, seguimos a enfermeira até o centro cirúrgico. Ella estava intubada, deitada na mesa de operação. A faca ainda estava cravada em seu peito. Olhei para o monitor cardíaco e vi seu pulso extremamente baixo.

“Por que você ainda não começou a cirurgia?”, perguntei ao médico.

"Há algo errado. Demos a ela seu sangue e esperamos dez minutos para que seu coração batesse mais forte, mas não funcionou. Por alguma razão, seu sangue não está fazendo efeito, alfa!", Dr. Hunt respondeu.

“Isso não faz o menor sentido. Por que seu corpo recusaria meu sangue? Um sangue puro?, perguntei incrédulo.

“Eu só conseguia pensar em uma coisa que impediria o corpo de se curar, mesmo injetando sangue puro. Ella deve ter veneno de lobo circulando em seu organismo. É a única coisa que faz sentido", tirei um pouco de sangue dela e enviei para nosso laboratório para uma análise rápida.

Olhei confuso para Joseph e vi minha expressão refletida em seu rosto.

"Por que diabos ela teria veneno de lobo em seu organismo?", Joseph questionou.

“Acrescente isso à lista de mistérios infindáveis para os quais buscar respostas”, respondi em tom seco.

Dr. Hunt limpou a garganta e disse: "Na verdade, alfa, há outro mistério que estou prestes a adicionar à sua lista", ele olhou para as enfermeiras e acenou com a cabeça para elas. Elas viraram Ella, dando-me uma visão completa de suas costas.

Nem uma única palavra pode descrever como me senti quando vi as costas dela. Horrorizado? Chocado? Atordoado? Agonizado? Destruído?

Junte tudo e multiplique por cem e ainda não descreverá como me senti.

Suas costas estavam cobertas de diferentes marcas de chicote. Algumas chicotadas rasgaram sua pele com cortes profundos.

“Mas as costas dela não são o único lugar com essas marcas. A maior parte de seu corpo está marcada. No entanto, apenas suas costas têm esses cortes profundos que provavelmente foram causados pelo que parece ser um chicote. Eu estava presente no açoitamento público esta manhã e fiquei muito surpreso ao vê-la sangrar pela camisa. Agora tudo faz sentido", Dr. Hunt disse em um tom triste.

“Você está dizendo que ela foi torturada antes do açoitamento público esta manhã?”, Joseph perguntou em estado de choque.

“Eu diria que isso aconteceu cerca de duas noites atrás. Você pode distinguir claramente entre as marcas do alfa Klaus e as antigas. As marcas de Klaus são mais rosadas porque ainda estão frescas. Ella deveria ter se curado das primeiras chicotadas na noite seguinte, mas o fato de não ter se curado confirma que ela provavelmente ingeriu veneno de lobo na época em que as antigas chicotadas aconteceram.

Duas noites atrás? Duas noites atrás, o bando ainda não era nosso. Era ainda o bando do alfa Grey. Ella tentou fugir na noite seguinte. Foi para fugir de quem a torturou e não porque ela estava fugindo de mim? Ou foram os dois motivos? Minha cabeça estava cheia de perguntas. Por que ela não me contaria isso? Por que ela se deixaria ser punida quando já havia passado pelo inferno no dia anterior?

Dr. Hunt limpou a garganta novamente: "Tenho a impressão de que há algo além disso".

Eu não achava que pudesse ser pior que aquilo. No entanto, pelo olhar do médico, qualquer coisa que ele dissesse seria pior.

“Fiz um rápido exame vaginal e descobri vários rasgos em sua parede. Ella foi estuprada várias vezes ao mesmo tempo da tortura”, afirmou.

O silêncio tomou conta do ambiente, mas um furacão, um tornado e um vulcão estavam todos girando dentro de mim. Esta era a maneira mais horrível que uma mulher podia ser violada. Não conseguia entender como ela havia suportado todo aquele abuso. O fato de ela ainda estar lutando para viver depois de todo aquele abuso e atentado contra sua vida fez meus joelhos bambearem.

Eu a castiguei com tanta força esta manhã para provar um ponto para meu novo bando, sem saber que eu estava batendo numa pele já cortada, causando-lhe uma dor inimaginável. Ainda assim, ela não gritou ou implorou que eu parasse. Nem mesmo tentou me fazer mudar de ideia sobre a punição. Ficou calada. Como ela pôde fazer isso? Ser tão forte? Tão corajosa?

“Alfa Klaus, tenho uma solução para começar a curar o corpo dela imediatamente, mas preciso da sua permissão”, o Dr. Hunt me tirou do ponto escuro para o qual eu estava indo.

“Seja o que for, você tem que fazer. Quero que faça tudo o que estiver ao seu alcance para salvar a vida dela”, eu lhe disse sem titubear.

“Precisamos iniciá-la em algum tipo de diálise de sangue. Vamos tirar todo o sangue dela, remover todas as toxinas e, ao mesmo tempo, injetar o seu sangue. Você precisa estar conectado diretamente. Infelizmente, não temos tempo para esperar por várias coletas de sangue. Entretanto, preciso avisá-lo que o procedimento retirará muito sangue de você, o que pode deixá-lo fraco por algumas horas”, explicou o médico.

“Faça isso”, dei a ordem.

Imediatamente todos começaram a se movimentar ao mesmo tempo. As enfermeiras ligaram Ella a uma máquina e alguém trouxe uma cadeira para eu me sentar ao lado da cabeceira da mesa de cirurgia onde Ella estava. Levantei a manga da camisa e ofereci o braço para a outra enfermeira a fim de iniciar a transfusão de sangue.

O ambiente ficou em completo silêncio enquanto todos nós prendemos a respiração e olhamos para o monitor cardíaco dela.

Alguns minutos depois, começamos a ver um discreto aumento em seu batimento cardíaco. Respiramos aliviados, pois estava funcionando.

“Vou dar a ela alguns minutos, mas preciso começar a cirurgia imediatamente se pretendo parar o sangramento a tempo”, informou o Dr. Hunt. E eu concordei fazendo sinal com a cabeça.

Voltei minha atenção para o rosto dela, enquanto o médico começava a abrir seu tórax. Ella parecia tão pacífica! Olhando para o seu rosto, era difícil imaginar quanta dor ela havia suportado por dias. Quanta dor ela deveria ter sofrido! Ninguém deveria sentir tanta dor assim! Ninguém deveria ter sua virtude tirada dessa maneira. Toda a raiva que sentia dela se foi. Não me conformava por ter ido até seu quarto para castigá-la ainda mais. Tive vergonha de mim mesmo.

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