Valentino abriu a porta do carro e entrou no banco de trás. Os olhos de Heloísa brilhavam ao observá-lo.
— Valentino.
Como se soubesse o que ela ia falar, Valentino pegou a certidão de divórcio e colocou o documento no porta-luvas.
O olhar de Heloísa ficou fixo. Viu claramente as palavras na certidão, e o coração dela disparou.
Durante aquele mês, ela não teve a coragem de provocar Flávia. Tinha medo que, se a pressionasse, ela fizesse alguma loucura.
Ainda bem que o divórcio ocorreu sem problemas.
-
Nove horas da noite, no Grupo Monteiro.
Valentino recebeu uma ligação inesperada de Fátima.
— Sr. Monteiro, a Senhora ligou hoje dizendo para jogar todas as coisas dela fora.
Havia um tom de hesitação na voz de Fátima.
A Senhora nunca tinha mandado jogar suas coisas fora. Era a primeira vez, e ela sentia que algo havia acontecido.
— Tudo bem. Então jogue fora.
— Eu achei um diário no sótão, deve ser da Senhora. Liguei para ela agora há pouco, mas não atendeu.
— Espere por mim. — Valentino desligou a ligação, os dedos batendo na mesa com um ritmo constante.
Um minuto depois.
Pegou o casaco na cadeira e saiu do escritório. O Maybach preto corria veloz sob a chuva.
Meia hora depois, chegou em casa.
Fátima estava na sala. Ao vê-lo, entregou o diário: — Sr. Monteiro.
— Certo.
Valentino foi até o quarto principal no andar de cima e parou na porta.
A penteadeira estava vazia; os cremes de Flávia haviam sumido.
Ele fechou a porta, virou-se, sentou na cadeira de couro de seu escritório e acendeu o pequeno abajur sobre a mesa.
A luz fraca iluminava a mesa.
O diário era cor-de-rosa. Parecia ter alguns anos, mas estava claro que a dona cuidava muito bem dele, pois não tinha nenhuma marca ou arranhão.
Abriu o diário.
A letra era caprichada. Como havia passado muito tempo, algumas palavras estavam apagadas, mas não impediam a leitura.

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