Flávia franziu a testa e olhou pela janela.
— Senhora, por que não espera a chuva parar? Disseram que vai cair uma tempestade hoje. A casa da família Viana fica muito longe, não é seguro.
— Não, eu acho melhor ir.
Ela e Valentino já tinham a certidão de divórcio em mãos, então não fazia sentido continuarem morando juntos.
— Senhora, você mora aqui há tantos anos, não faz mal ficar mais um dia.
Flávia pareceu hesitar.
Bem naquela hora, seu telefone tocou. Era Dona Maíra.
— Flávia, vai ter uma forte tempestade nos próximos dias. Você e o Valentino não devem sair de casa. Ainda há comida na casa de vocês? — Dona Maíra falou com carinho.
Fátima acenou com a cabeça. Flávia sorriu e respondeu: — Vovó, vamos nos cuidar, não se preocupe conosco.
Dona Maíra lembrou-se do que Valentino andava fazendo com Heloísa e a sua expressão se fechou. — E o Valentino? Ele não está em casa?
Valentino desceu as escadas sem que ninguém notasse. Ao ouvir isso, pegou o celular da mão de Flávia.
— Vovó, eu estou em casa.
Dona Maíra deu uma risada de felicidade. — Cuide bem da Flávia.
— Entendido.
Flávia sabia que ele só estava concordando para agradar a avó, e não disse nada.
Ela conversou mais um pouco com a senhora.
Vendo isso, Fátima foi para a cozinha e começou a fazer o jantar.
— Você ainda não foi? — Valentino ficou olhando para Flávia.
— Por que você não vai?
— A casa é minha. — Valentino se sentou no sofá sem se importar, apoiou o rosto em uma das mãos e olhou para ela, relaxado.
Flávia lembrou do que estava no acordo: Valentino havia dado a casa para ela.
Agora ela era a dona da casa.
Andou calmamente até o sofá individual e se sentou, lançando-lhe um olhar.
— No nosso acordo, não dizia que você me deu a casa? Você se esqueceu disso, Sr. Monteiro?

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