A porta foi aberta de novo. Valentino pegou Flávia pelo pulso e a levou para fora.
Flávia tentou se soltar, mas o homem não abriu mão; na verdade, segurou ainda mais forte.
— Eu te pago um salário por isso.
Ao escutar aquilo, Flávia parou de se debater. Afinal, ninguém diz não a dinheiro.
Ela baixou os olhos e viu o homem segurando o pulso dela.
Durante os sete anos de casamento, ela sempre foi quem mais tentava se aproximar. Já ele sempre foi muito fechado e evitava qualquer contato físico com ela.
Agora que eles estavam oficialmente divorciados, ela não sentia mais falta dele. E ele, de repente, estava segurando a mão dela.
Para ela, o escritório de Valentino sempre fora um local proibido. Nunca a tinham deixado entrar lá.
Se não tivessem ficado presos ali de repente, ela não teria passado daquela porta.
Era cômico pensar que ela acabaria entrando no escritório dele daquele jeito.
— Eu não tenho computador.
— No escritório tem.
Os dois entraram no escritório. A decoração misturava as tradicionais cores preta, branca e cinza. Havia estantes em todas as paredes, repletas de livros.
Valentino sentou-se na cadeira de couro; o computador estava ligado.
Flávia se sentou no outro canto, pegando o computador que ele passou para ela.
— Está pronta? — Valentino olhou para ela.
— Sim.
Valentino ligou a câmera. Flávia não fazia ideia de que ia ser uma videoconferência e se afastou mais um pouco.
Notando o movimento que ela fez, Valentino não mudou de expressão, mas deu uma rápida olhada nela.
A reunião começou.
Flávia não via aquele tipo de conteúdo há dois ou três meses. Como conhecia os projetos do Grupo Monteiro e era muito boa no que fazia, logo encontrou o seu ritmo.
O olhar de Valentino passou pela tela do computador dela. Vendo que ela estava acompanhando o seu raciocínio, começou a falar mais depressa.
Depois de duas horas, a reunião estava quase terminando.

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