Dez da noite.
Larissa Paiva dançava em uma boate.
Desde sua demissão da Baoli, ela tentou enviar currículos, e algumas empresas até quiseram entrevistá-la.
Porém, cada vez que a entrevista acabava, o resultado não era o esperado.
Mais tarde, perguntando aos amigos, descobriu que todos na área sabiam o que ela tinha feito na Baoli.
A partir de então, ninguém estava disposto a contratá-la.
Balançou o líquido marrom no copo e bebeu tudo.
O álcool conseguia entorpecê-la temporariamente.
O celular na mesa acendeu, e ela o pegou, vendo um número internacional.
Atendeu.
A música alta impediu de escutar o que o outro dizia com clareza, mas ela percebeu o mais importante.
Quinhentos mil.
Pegou a bolsa, cambaleou para fora da boate; a outra pessoa manteve a calma, e a ligação não foi cortada.
— Quem é você?
— Você não precisa saber quem eu sou, se fizer exatamente o que eu mandar, eu te pago quinhentos mil.
A sanidade de Larissa foi voltando, e do outro lado, ela escutou a voz de um homem de meia-idade.
— Acha que consegue me comprar com quinhentos mil?
Ela zombou.
— Estou falando de adiantamento.
Após ouvir isso, Larissa arregalou os olhos, pondo as mãos nos lábios, com medo de dar um grito de susto.
— Por que eu deveria acreditar em você?
— Dada a sua situação atual, há outra opção?
— Certo, eu concordo. — Larissa rangeu os dentes. — Mas primeiro, quero ver o adiantamento.
Ela adorava usar bolsas luxuosas para se exibir por aí, mas na verdade, ela as comprava usando o cartão de crédito.
O cartão estava com uma dívida imensa, e ela seria processada se não conseguisse quitar.
— Feito.
A voz atendeu imediatamente.
— O que você quer que eu faça?
— Quero que você...
O coração de Larissa batia rápido e as suas palmas estavam suadas. — Certo.

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