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No dia seguinte.
Quando Flávia Viana chegou à Galeria Noir, Breno já estava diante da mesa vermelha, continuando a retirar o forro da pintura do dia anterior.
Ela ficou ao lado assistindo por um tempo, e Breno percebeu a sua presença, mas não disse nada.
O período de estágio servia para observar e aprender bastante.
Retirar as camadas da pintura é um trabalho monótono e que exige muita paciência.
A obra é como um tecido; com o passar do tempo, ele mofa, desgasta e rasga.
O restaurador precisa resolver todos esses problemas sem danificar a peça no processo.
Normalmente, a pintura é feita em seda ou papel, e quanto mais antiga, mais frágil ela fica. Em casos extremos, pode virar pó apenas com um toque leve.
A dificuldade disso é evidente.
Breno encarava o trabalho à sua frente com atenção, enquanto gotas de suor apareciam na sua testa.
— Posso tentar? — Flávia Viana perguntou baixinho.
Breno parou por um instante ao ouvi-la.
A voz de Rafael, que havia garantido as habilidades dela, ecoou na sua mente.
— Não. — Breno recusou categoricamente. — Esta pintura vale três milhões de reais. Você tem condições de pagar por ela caso estrague algo?
— Se houver qualquer erro, eu pagarei o valor total.
Vendo a determinação no olhar dela, Breno não insistiu.
Ele já a havia alertado, ela que não sabia o que era bom para si.
Qualquer acidente a partir dali não teria nada a ver com ele.
Pensando assim, ele cedeu o lugar.
Flávia Viana ficou de frente para a mesa, inclinou-se e até a sua respiração ficou mais lenta.
Dez minutos depois.
A parte que estava dando dor de cabeça em Breno foi retirada, e de forma perfeita.
— Você... — Ele estava surpreso demais para falar.
Ela tinha apenas uma graduação, como podia ter uma técnica de restauração tão apurada?
Pelo movimento ágil e pela habilidade, ficava claro que ela era melhor do que ele.
Ela tinha total capacidade de atuar como restauradora sênior.
O Sr. Rafael não havia mentido.
— Desculpe por ontem. — Breno pediu desculpas de forma sincera. — Vi a sua proximidade com o Sr. Rafael e achei que você tinha entrado por indicação.
— Não tem problema. — Flávia Viana não esperava que ele fosse se desculpar tão rápido. — A Galeria Noir precisa de pessoas como você, que não têm medo de falar o que pensam.
— Hoje mesmo vou admitir o meu erro ao Sr. Rafael e devolver o seu cargo de restauradora sênior.
— Não precisa. Se eu assumir o cargo hoje, os outros restauradores acharão que você foi subornado e não reconhecerão a minha capacidade.
Flávia Viana balançou a cabeça.
Breno coçou a cabeça, ele havia pensado de forma muito simples.
— Então, hoje você fica responsável por restaurar esta aqui.
Flávia Viana pegou a pintura que ele lhe entregou e assentiu. — Certo.
Os dois voltaram ao trabalho.

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