Ela recolheu a mão, tirou um lenço umedecido do bolso e começou a limpar as mãos cuidadosamente.
O sorriso de Heloísa congelou.
O que isso significava?
Ela a achava nojenta?
Notando que ela ficou sem graça, Pietra sorriu: — Eu tenho mania de limpeza, Srta. Heloísa, não se importe.
Heloísa hesitou antes de responder: — Não me importo.
Para poder aprender com a mestre Graciana, ela aguentaria.
— Tenho uma reunião daqui a pouco, vou deixar a Heloísa aos cuidados do Rafael. — Valentino foi logo defendendo.
Entendendo a intenção dele, Heloísa sentiu o coração se aquecer.
Ela abriu um sorriso doce para Valentino.
Pietra observou as demonstrações de afeto na sua frente, com o olhar mais sério.
— Fique tranquilo, Sr. Monteiro. Cuidaremos muito bem da Srta. Heloísa.
Valentino foi embora.
Rafael e Pietra levaram Heloísa até uma sala de restauração.
Quando Heloísa fez menção de entrar, Pietra tirou um par de capas de sapato.
— Srta. Heloísa, por favor, coloque os capas de sapato e a máscara.
Ao ouvir isso, o olhar de Heloísa esfriou.
— Qual é o significado disso, Pietra?
As palavras de Valentino há pouco tinham sido claras, era para cuidarem dela.
Tratando-a daquela forma, não tinham medo de arrumar problemas com Valentino?
— Não leve a mal, Srta. Heloísa. Você é uma doutora formada no exterior e demonstra muito respeito pelas peças antigas. Tudo isso é só para garantir o seu profissionalismo.
Ela jogou a responsabilidade para cima de Heloísa com aquele elogio.
Sem graça para recusar, Heloísa pegou os capas de sapato com a cara fechada.
Colocou os capas de sapato e a máscara antes de entrar.
Rafael já tinha organizado as ferramentas de restauração na mesa.
Escovas, toalhas, pinças, água morna...
Heloísa olhou para a pintura na mesa.
Era um retrato de mulheres sábias da antiguidade, medindo oitenta centímetros de altura por quarenta de largura.
— Para não perdermos tempo, esta pintura já foi lavada. A Srta. Heloísa pode começar direto pela remoção do forro.
Rafael fez um gesto com a mão, indicando para ela começar.
Um sorriso passou pelos olhos de Heloísa.
Depois da exposição, ela havia pesquisado e descoberto que os testes práticos da Galeria Noir sempre começavam pela lavagem.
Ela era a primeira a começar pela remoção do forro.
Fizeram isso apenas para não desperdiçar o tempo dela e como um reconhecimento de suas habilidades.
Ela pegou a pinça na mesa e, quando se inclinou para começar, ouviu passos na porta.
Levantou os olhos e viu os restauradores da Galeria Noir.
Todos eles usavam crachás da Galeria Noir.
Antes que ela perguntasse, Pietra sorriu e explicou: — Como a Srta. Heloísa é uma restauradora excelente, os funcionários da Galeria Noir ficaram sabendo e quiseram vir aprender um pouco.

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