Vendo o desânimo de Heloísa, Valentino percebeu o estado dela.
— Como foi a entrada na Galeria Noir?
Os outros também olharam, curiosos.
Heloísa apertou os lábios: — O Rafael disse que eu só posso começar como júnior.
Otávio aumentou o tom de voz, surpreso: — Você se formou em uma universidade de ponta no exterior! Como assim, só uma restauradora júnior?
— Pelo seu currículo, isso não deveria acontecer. — Arthur franziu a testa.
— E além disso, parece que a Pietra não gosta de mim. Enquanto eu restaurava, ela ficou me atrapalhando o tempo todo.
Heloísa fez uma pausa e acrescentou: — Era como se... ela não quisesse que eu entrasse na Galeria Noir.
— A Pietra? — perguntou Otávio, confuso.
— Sim. — Heloísa concordou.
— Se me lembro bem, ela e Flávia são melhores amigas, não são? — Arthur olhou para Valentino.
Sob o olhar dos amigos, Valentino concordou devagar.
— As duas são muito próximas.
Heloísa soltou um "ah" de quem finalmente entende: — Agora tudo faz sentido.
Otávio bateu na própria testa e disse com um tom de mistério: — Fui à Galeria Noir ontem. Adivinhem quem eu vi por lá?
Valentino ergueu uma sobrancelha.
Arthur tentou adivinhar: — Não me diga que foi a Flávia?
— Parabéns, acertou em cheio. — Otávio sorriu com um olhar cheio de más intenções. — Na exposição, a Heloísa comentou com o Rafael que queria entrar na Galeria Noir. E, por pura coincidência, a Flávia entrou para a Galeria antes?
— Eu não acredito em coincidências. Com o talento da Heloísa, era óbvio que ela seria aceita. Se ela entrasse, o Valentino passaria a frequentar a Galeria Noir, e a Flávia com certeza só queria uma chance de se encontrar com ele.

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