Otávio bateu no peito: — Rafael, eu garanto a capacidade da Heloísa. Afinal, uma das restaurações dela foi leiloada por cinquenta milhões. Isso já é prova suficiente.
Valentino tomou a palavra: — Posso fazer uma doação de oitenta milhões para a Galeria Noir, desde que a Heloísa ocupe a vaga de restauradora sênior e tenha total liberdade.
Ele falou em doação, não em investimento. Rafael pensou: um investimento exige retorno financeiro, já uma doação é dinheiro dado sem pedir nada em troca.
Rafael sentiu nojo. Flávia tinha se dedicado por sete anos e nunca vira oitenta milhões.
Mas ele não poupava gastos com a amante.
Otávio sabia que Valentino tratava Heloísa bem, mas não imaginava que chegaria a esse ponto.
Jogar fora oitenta milhões por causa de uma mulher era algo impensável.
— Eu não sou como o Sr. Monteiro, que pode resolver tudo em um estalar de dedos. — Rafael fez uma expressão preocupada. — Não tomo as decisões sozinho na Galeria Noir. A Pietra não vai concordar.
Ao vê-lo hesitar, Heloísa achou que teria uma chance.
— Rafael, e se você me apresentar à mestre Graciana? O Valentino também faria a doação de oitenta milhões.
Um sorriso com segundas intenções passou pelos olhos de Rafael.
Se ela descobrisse que a tão sonhada mestre Graciana era Flávia, ele mal podia esperar para ver a reação.
— O paradeiro de Graciana é incerto. Eu não tenho como encontrála.
Heloísa franziu a testa.
Ser assistente na Galeria Noir não era uma opção.
Seu currículo a colocava no topo da pirâmide do setor. Além disso, ela pertencia à família Vasconcelos e era a namorada assumida de Valentino.
Se ela passasse a trabalhar como assistente, a alta sociedade descobriria.
E todos ririam dela.
Como Pietra e Flávia eram amigas, a entrada dela na Galeria Noir jamais seria aprovada, não importa o que fizesse.
Por isso, seu objetivo desde o início era Graciana, e não a Galeria Noir.
Mas agora, Rafael dizia não saber do paradeiro da mestre.

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