Valentino finalmente cedeu e permitiu que ela entrasse. A sala de estar estava mergulhada na penumbra, com a única fonte de claridade vindo da porta aberta de seu quarto. Foi só quando ele acendeu as luzes embutidas no teto, revelando o ambiente, que o espaço ganhou vida. Liliane percorreu o apartamento com os olhos, impressionada com o que via.
— Esse apartamento não parece nada barato, hein? — Comentou ela, avaliando o luxo discreto do lugar.
— Pode deixar as coisas aí e voltar para casa. — Disse Valentino, tirando a carteira do bolso do casaco, ignorando a observação dela. — Só tenho dinheiro vivo aqui, mas vou deixar o valor dos remédios e do lanche para você.
Dizendo isso, ele colocou algumas notas sobre a mesa. Liliane, no entanto, nem tocou no dinheiro e franziu a testa.
— Qual é o seu problema? — Retrucou ela, ofendida. — Estou fazendo uma boa ação, não estou aqui para extorquir seu dinheiro.
— Não gosto de ficar devendo nada a ninguém. — Justificou ele, com a voz cansada.
— Não pedi para você me dever nada. Se não fosse pela Luana, eu nem estaria aqui! — Disparou Liliane, cruzando os braços e se sentando no sofá com as pernas cruzadas, sentindo-se bem à vontade. — Além disso, você é tecnicamente meu chefe. Você pode não se importar consigo mesmo, mas o pessoal da empresa se importa. Se algo acontecer com você, quem vai cuidar da gente?
Valentino franziu a testa levemente, preferindo o silêncio diante da insistência dela. Liliane, aproveitando a pausa, empurrou a sacola de remédios na direção dele.
— Tome o remédio logo, antes que piore. — Insistiu ela.
— Eu já disse que tomei. — Respondeu ele, exibindo uma expressão de impotência. — Minha situação não é tão crítica quanto você imagina.
Liliane virou a cabeça para contestar, mas as palavras morreram em sua garganta. Seu olhar pousou acidentalmente sobre a mesa, onde uma caixa de ibuprofeno já aberta repousava ao lado da fruteira.
Ela engasgou, sentindo o rosto esquentar de vergonha.
— Você... você realmente já tomou? — Gaguejou ela, constrangida.
— O que mais eu faria? — Devolveu ele, sem paciência.
Liliane se levantou com um sorriso amarelo, tentando disfarçar o erro.
— Que bom, então. Eu achei que você fosse... err... — Ela percebeu que era melhor não terminar a frase e mudou o rumo da conversa rapidamente. — Esquece, acho que viajei na maionese. O importante é que você se cuidou. Descanse cedo e, ah, coma o lanche enquanto está quente. Eu já vou indo.
Liliane saiu do apartamento quase correndo, fechando a porta atrás de si com pressa.
Valentino baixou os olhos, suspirando. Ele conseguia imaginar o que passara pela cabeça dela. Seu olhar recaiu sobre a sacola de remédios e a comida ainda morna sobre a mesa, perdido em pensamentos que ninguém poderia decifrar, sozinho novamente no silêncio do apartamento.
...
Assim que Luana chegou ao instituto na manhã seguinte, foi cercada por colegas a parabenizando pelo noivado. Ela mesma ficou surpresa com a velocidade das fofocas; a notícia já havia se espalhado por todos os corredores e laboratórios.
Pouco depois, Liliane entrou na sala arrastando os pés, com uma expressão de exaustão profunda. Percebendo as olheiras marcadas no rosto da amiga, Luana perguntou:
— Ficou acordada até tarde ontem?
Luana assentiu, sorrindo de forma natural.
— Já está tudo pronto, professor. Vou enviar para o seu e-mail agora mesmo.
— Ótimo. — Respondeu Valentino, sem acrescentar mais nada, antes de entrar em seu escritório e fechar a porta.
Liliane esperou que ele estivesse fora de alcance e uniu os indicadores, num gesto de nervosismo, antes de sussurrar para Luana:
— Será que o Valentino não sabe do seu noivado? A reação dele foi calma demais, não acha? — A tranquilidade dele parecia antinatural para ela.
Luana hesitou por um segundo, soltando um riso resignado em seguida.
— Não viaja, Liliane. Eu e ele somos apenas amigos.
— Você jura que não sabe que ele gosta de você? — Questionou Liliane, incrédula com a ingenuidade da amiga.
Luana percebeu onde ela queria chegar. Lançou um olhar rápido para a porta fechada do escritório dele e sorriu com certa melancolia.
— O professor Valentino é um homem incrível, eu sei disso. Se eu não tivesse reencontrado o Ricardo, talvez eu tivesse escolhido ele. Mas acho que o destino não quis assim, talvez não fosse para ser. Além do mais, nós já conversamos sobre isso e deixamos tudo em pratos limpos. Não podemos deixar de ser amigos por causa disso, certo?
Liliane assentiu, compreendendo a situação, mas seus olhos se voltaram para o escritório de Valentino com uma profunda compaixão. Por fora, ele mantinha a pose de indiferença, mas ela sabia que, por dentro, o coração dele devia estar em pedaços.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...