Ao ouvir aquilo, Danilo franziu o cenho e virou a cabeça para encarar a filha. Luana, tentando disfarçar o constrangimento, coçou a bochecha com um ar de inocência e apenas sorriu, sem dizer uma palavra, deixando que o silêncio falasse por si.
Enquanto isso, Ricardo manteve a postura calma, segurando a tampa do bule com a ponta dos dedos enquanto se servia de mais chá.
— Se o senhor não suporta a ideia de se separar de Luana, posso muito bem ficar aqui em Macondo com ela para cuidar dos dois. — Ofereceu ele, com uma naturalidade que surpreendeu a todos.
— Se a memória não me falha, você é filho único. — Retrucou Danilo, levando a xícara aos lábios para um gole lento antes de continuar, com um tom de desafio. — Será que seus pais permitiriam que você morasse em Macondo?
Os dedos de Ricardo pararam por um instante sobre a xícara. Ele ergueu o olhar, e sua voz soou tranquila, mas carregada de uma firmeza inegável.
— Os negócios da minha família precisam de gestão, é verdade, mas o legado familiar vai além da empresa; trata-se das pessoas. Meus pais são sensatos e, se eu insistir em algo ou alguém que é importante para mim, eles vão compreender e aceitar. Além do mais, não é difícil transitar entre Macondo e Oeiras. Pode ser um pouco cansativo, mas essa fadiga na estrada não significa nada para mim se for por ela.
Ele fez uma breve pausa e olhou com sinceridade para o sogro.
— Claro, tudo isso depende da vontade da Luana e da aceitação do senhor e da minha sogra. Não vou forçar nada, mas farei o possível para lutar por nós.
Luana ergueu os olhos e encontrou o olhar profundo de Ricardo. Lá dentro, ela viu seu próprio reflexo e também a determinação inabalável dele, sentindo o coração acelerar com a intensidade daquele momento.
Danilo não respondeu de imediato. Ele apenas segurou a xícara, analisando Ricardo com um olhar penetrante, como se estivesse pesando o valor daquelas palavras e a fibra moral do rapaz à sua frente. O silêncio tomou conta da sala de estar, ficando tão pesado que Luana começou a se mexer, inquieta na cadeira.
Quando ela estava prestes a abrir a boca para quebrar o gelo, Danilo pousou a xícara e soltou uma risada curta, quase seca.
— Deixando de lado como vocês eram antes, vamos falar da sua mãe, a Amanda. Sei muito bem como ela tratou minha filha no passado.
O homem respirou fundo, e seu tom ficou mais grave.
— Mesmo que ela aceite minha filha agora, precisa demonstrar alguma atitude. Achar que dar uma ilha em Suriano resolve tudo pode deixar o resto da família feliz, mas eu sou pai dela e não vou deixar passar tão fácil assim. — Completou ele, sério.
Luana ficou atônita por um momento. Ela percebeu que o pai guardava aquela mágoa para protegê-la; aquilo era a sensação de ter uma família de verdade lhe dando apoio, algo que a aqueceu por dentro.
— Eu entendo. — Disse Ricardo, encarando-o com respeito.
— Já que você entende, não vou dificultar as coisas para o seu lado. Sua mãe deu a ilha como sinal de boa fé, e estou levando isso em conta por respeito a você. — Continuou Danilo, com um tom paternal, mas severo. — Mas só vou abençoar esse casamento de verdade se sua mãe pedir desculpas pessoalmente à minha filha pelo que aconteceu no caso do Riviera!
Luana arregalou os olhos, surpresa. Imaginar Amanda, com todo o seu orgulho, pedindo desculpas pessoalmente parecia algo quase impossível.
— Tudo bem. — Concordou Ricardo, sem hesitar. — Farei com que minha mãe peça desculpas.
— É você? O que quer aqui? — Perguntou ele, com a voz fraca e arrastada.
— Fiquei sabendo que você não estava bem, então, na minha infinita bondade, vim verificar para garantir que você não morra sozinho. — Disse Liliane, aproximando-se para observá-lo melhor, notando o estado deplorável dele. — Você por acaso tomou algum remédio?
— Já tomei. — Resmungou Valentino, tentando fechar a porta na cara dela.
Mas Liliane foi mais rápida e segurou a porta com a mão, impedindo-o.
— Tomou remédio e continua nesse estado? Conta outra! Eu consigo sentir o calor saindo de você daqui. Está tentando se fazer de forte, é?
Ele não respondeu, exausto demais para discutir, e apenas se apoiou no batente da porta.
— Você é jovem, aguentar febre assim na raça é perigoso. Se der uma miocardite, você pode morrer, sabia? — Liliane de repente arregalou os olhos e cobriu a boca, chocada com a própria conclusão. — Não me diga que você está tão quebrado que não tem dinheiro nem para comprar remédio?
Valentino levou a mão à têmpora, sem forças sequer para responder àquela provocação absurda ou explicar a situação.
— Eu sabia! Você com certeza está sem grana para a farmácia. Toma, comprei para você! — Liliane ergueu a sacola triunfante, ignorando completamente o mau humor dele, e acrescentou. — Além dos remédios, trouxe comida também!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...