Carlos pousou o copo na mesa com delicadeza e se levantou sem pressa, virando-se para encarar o recém-chegado.
— Bom, vocês estavam aqui, não estavam? Imaginei que dariam conta do recado sem mim. — Respondeu ele, com um tom de voz calmo, quase provocativo.
Vinícius ignorou a ironia e fez um gesto discreto para Vitor, indicando que ele deveria deixá-los a sós. Assim que a porta se fechou, Vinícius contornou a mesa e se sentou em sua cadeira de couro, assumindo o controle do ambiente.
— Deixando de lado a questão da tia Yasmin... e a sua mãe? — Questionou ele, direto. — Parece que você também não está muito preocupado com o destino dela.
— Minha mãe colheu o que plantou. — Retrucou Carlos, soltando um suspiro cansado enquanto caminhava até a estante de livros. Ele puxou um volume sobre finanças e começou a folheá-lo desinteressadamente. — Eu a avisei, tentei aconselhar, mas ela não quis me ouvir. Se ela escolheu continuar se encontrando às escondidas com o César, era questão de tempo até que tudo viesse à tona.
Ele falava da própria mãe como se descrevesse uma estranha, sem qualquer traço de emoção ou empatia no rosto. Vinícius tamborilou os dedos no tampo da mesa, produzindo um som rítmico e seco, enquanto seus olhos, afiados como navalhas, fixavam-se nas costas de Carlos. Ele sabia muito bem que aquela visita não era um simples reencontro familiar.
— O que você quer? Veio tratar de negócios? — Perguntou Vinícius, impaciente.
Carlos devolveu o livro à prateleira e girou o corpo, abrindo os braços num gesto de impotência.
— Vinícius, eu vim aqui hoje de coração aberto, queria conversar com você de verdade. Você sabe que, tirando a hierarquia familiar, nós temos praticamente a mesma idade. No meu íntimo, nunca te vi como um sobrinho, mas sim como um irmão mais novo.
A expressão de Vinícius endureceu.
— Chamar o filho do meu avô de "irmão" é uma honra que eu dispenso. Se não tem mais nada relevante para dizer, a saída é logo ali. — Disse ele, apontando para a porta com um gesto incisivo.
O sorriso triste no rosto de Carlos vacilou por um segundo, transformando-se num esgar amargo.
— Você continua o mesmo... nunca dá margem para ninguém. — Comentou ele.
Carlos caminhou até a mesa, apoiou as mãos na borda e inclinou o corpo para frente, invadindo o espaço pessoal de Vinícius.
— Olha, nós dois sabemos o que acontece nos bastidores desta família. Mas eu quero que você saiba que eu não tive escolha. Meus inimigos não são você nem seu pai. Eu realmente não quero ter que lutar contra você.
Após deixar o aviso, ou seria uma ameaça velada, Carlos endireitou a postura e saiu da sala sem olhar para trás.
Poucos minutos depois, Vitor entrou, com a curiosidade estampada na cara.
— E aí? O que esse cara queria, afinal?
O olhar de Vinícius escureceu, perdido em pensamentos.
— Ele veio me dar um conselho... ou talvez me fazer um alerta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Quero ler o livro completo como faço?...
Ler o livro a partir do capitulo 561...
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