A Dra. Vanda hesitou por um instante, surpresa com a revelação, mas logo um sorriso profissional iluminou seu rosto.
— Então você é a sobrinha dela... Entendo. Por favor, venha comigo.
Luana acompanhou a médica até a sala de armazenamento de itens VIP. O cofre de Yasmin era o de número 29, e a combinação, por questões de segurança, era conhecida apenas pela Dra. Vanda. Após digitar a senha no painel eletrônico, a porta metálica se abriu com um clique suave, revelando um envelope lacrado em seu interior.
— Ela deixou estes documentos aqui anteontem, quando veio fazer uma sessão de fototerapia. — Explicou Vanda, entregando o pacote a Luana. — Yasmin foi muito enfática ao instruir que apenas um familiar poderia retirá-los. Confesso que não faço ideia do conteúdo, afinal, prezamos pela privacidade absoluta dos nossos clientes.
— Agradeço imensamente, desculpe pelo trabalho. — Disse Luana, guardando o arquivo na bolsa com um suspiro de alívio.
— Não há de quê.
Com o documento seguro em sua posse, Luana se despediu e tomou o elevador para o térreo. No entanto, sua tranquilidade durou pouco. Assim que as portas de aço se abriram no saguão, o ar pareceu faltar em seus pulmões, pois ela deu de cara com César, que caminhava em sua direção.
A presença dele ali, naquele momento exato, despertou um alerta imediato em seus instintos. César também a notou, e sua expressão endureceu. Luana inspirou profundamente, forçando-se a recompor a postura antes de cumprimentá-lo, tentando soar casual.
— Tio César.
— O que você está fazendo aqui? — Questionou ele, o tom ríspido soando mais como um interrogatório do que uma saudação familiar. Sua fisionomia estava carregada, denunciando péssimo humor.
— Vim encontrar uma amiga. — Mentiu ela, abrindo um sorriso amarelo. — O senhor também frequenta a clínica de estética?
— Não se meta nos meus assuntos. — Retrucou ele, passando por ela de forma brusca.
Luana estava prestes a soltar o ar que prendia, acreditando ter escapado, quando a voz grave a deteve:
— Espere.
Um calafrio percorreu sua espinha. Ela girou nos calcanhares, mantendo a máscara de ingenuidade.
— O senhor precisa de algo?
César a encarou com olhos semicerrados, impregnados de desconfiança e uma gravidade que a deixou tensa.
— Que amiga você veio encontrar?
Luana sentiu o estômago revirar. Enquanto sua mente corria desesperada em busca de um nome qualquer para inventar, uma voz vibrante e salvadora rompeu a tensão vinda da entrada.
— Luana! — Liliane correu até elas, entrelaçando o braço no de Luana com intimidade. — Estava me esperando, amiga?
Agradecendo mentalmente aos céus pelo timing perfeito, Luana a apresentou imediatamente:
— Era justamente dela que eu estava falando. Liliane, este é meu tio César.
— Olá, muito prazer. — Cumprimentou Liliane, com seu jeito despachado.
César apenas soltou um grunhido de desdém e, sem dizer mais nada, entrou no elevador, as portas se fechando sobre sua figura carrancuda.
— Nossa, que tiozinho mal-humorado, hein? — Sussurrou Liliane, assim que ele sumiu de vista.
— Você não tem ideia. — Luana relaxou os ombros, virando-se para a amiga. — Mas o que você faz aqui?
Liliane ergueu o queixo, apontando para a saída de vidro.
Enquanto o veículo deslizava pelo asfalto, Luana observava, pelo canto do olho, o homem ao volante. Os dedos longos e limpos de Ricardo seguravam a direção com firmeza, e sua expressão era de uma calma concentrada.
— Você não vai me dizer que soube que eu estava na clínica só porque viu o carro, vai? — Indagou ela, quebrando o silêncio. — Aquele carro é seu, Ricardo. Como você teria certeza de que era eu quem estava dirigindo?
— Digamos que temos uma conexão espiritual. — Brincou ele, sem tirar os olhos da estrada.
Luana revirou os olhos, fitando a paisagem urbana que passava pela janela.
— Pare de desconversar. Você sabe tudo sobre a família Souza, não é?
Ele sorriu de canto, um sorriso enigmático.
— Quase tudo. Inclusive sobre o arquivo que você tem na bolsa.
Luana congelou, levando a mão instintivamente ao peito, onde protegia a bolsa.
— Mas... eu não recomendo que você veja isso agora. — Acrescentou ele.
Ela franziu a testa. Embora não soubesse como Ricardo descobrira o conteúdo, aquela pasta poderia conter a razão de sua própria morte na vida passada. A curiosidade e o medo duelavam dentro dela.
— Por que? Você... tem medo de que algo me aconteça? — Perguntou ela, a voz falhando levemente.
Ricardo girou o volante, encostando o carro no meio-fio de uma rua tranquila. Luana o olhou sem entender. Ele esticou o braço, apoiando-o no encosto do banco dela e inclinando o corpo em sua direção. Com um olhar carregado de significado, ele sussurrou:
— Não. Tenho receio é de que você morra de constrangimento.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...