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A noiva rejeitada romance Capítulo 284

Cecilia estremeceu ao ouvir as batidas na porta, cada vez mais fortes, acompanhadas do rangido do metal sendo forçado. O coração lhe batia descompassado no peito, mas não hesitou nem um segundo. Pegou sua mochila rapidamente e seus olhos percorreram o quarto em busca de uma saída.

Encontrou-a: uma janela.

Correu até ela, abriu-a com ímpeto e, sem pensar muito, subiu no peitoril bem no momento em que a porta se abriu de golpe. Dois homens armados invadiram o quarto, mas já era tarde: Cecilia já estava do lado de fora.

O ar frio lhe bateu no rosto. Estava numa faixa estreita da mansão, a vários metros do solo. A visão para baixo lhe provocou vertigem; o estômago se revirou e as pernas tremeram. Se caísse, não haveria salvação.

Mas não podia parar. Com a mochila bem presa ao corpo, avançou com passos ágeis e calculados, tentando não olhar para o vazio. O medo se misturava à adrenalina, empurrando-a para seguir em frente.

Com um salto preciso, conseguiu alcançar a próxima janela, que estava entreaberta. Abriu-a completamente e deslizou para dentro do quarto. Mal pisou no chão, ouviu os homens a seguirem pelo corredor e tentarem abrir a porta.

Cecilia não hesitou. Tirou a arma da mochila, encaixou o silenciador com movimentos firmes e, quando a porta cedeu, atirou com precisão letal. Dois impactos secos e certeiros. Os corpos caíram no chão com um baque surdo.

Com o rosto endurecido, Cecilia passou por cima deles sem parar. O eco de seus passos ressoou pelo corredor enquanto descia em direção ao salão principal da mansão.

Mas ao chegar lá, um silêncio sepulcral a envolveu. Não havia sinal de Liam nem de seus homens. O local estava vazio, como se todos tivessem desaparecido em questão de segundos.

O coração de Cecilia batia descontroladamente. Aquilo não fazia sentido. Algo, sem dúvida, estava prestes a acontecer.

Cecilia conseguiu sair da propriedade e, mal pisou do lado de fora, sua atenção se voltou para um edifício isolado da mansão, uma sala externa que parecia ser blindada. Ali, entre as sombras, distinguiu vários homens em movimento. Se aproximavam em formação, armados com fuzis longos e o olhar fixo em seu alvo.

Seu primeiro instinto foi fugir. Aquela parecia a melhor oportunidade: a escuridão, o caos, as portas abertas para a liberdade. Podia correr, se perder entre a vegetação e desaparecer para sempre.

Mas então, um pensamento a atingiu como uma laje. Se não fizesse nada, aquele idiota ia morrer… e com ele, o colar, seu precioso colar, também desapareceria.

Cecilia cerrou os dentes, segurando um palavrão. A fúria lhe queimava nas veias.

— Maldição… — murmurou entre os dentes — Está ficando muito normal ter que salvar a cara daquele estúpido.

Ajustou a mochila no ombro, segurou a arma com firmeza e, com passos furtivos, preparou-se para enfrentar a ameaça que se abatia sobre Liam Azacel.

Enquanto isso, na sala externa, Liam estava diante de Apolo. A mesa comprida, iluminada apenas por um lustre, estava coberta de pastas, contratos e taças de cristal. O ambiente cheirava a fumaça, poder e traição.

— A mercadoria estará pronta em três dias — disse Apolo, com tom duro —. Mas preciso de garantias. Não vou arriscar minha reputação por alguém que ainda brinca de ser um Azacel.

Liam sorriu de canto, girando a taça lentamente.

— Garantias? Achei que um homem como você não precisasse dessas bobagens. Mas claro… entendo sua insegurança. Alguém com tanto medo de perder sempre exige mais do que pode sustentar.

Os olhos de Apolo brilharam com fúria contida.

— Cuidado com o que diz, Liam. Nem todos toleram seus desaforos.

— Ah, eu sei — respondeu Liam com ar de zombaria —. Mas o curioso é que, por mais que me despreze, sempre acaba vindo até mim. Acho que no fundo, precisa mais do meu sobrenome do que está disposto a admitir.

Apolo soltou uma gargalhada sarcástica, apoiando-se no encosto da cadeira.

— Não se engane, garoto. A única coisa que preciso de você é que cumpra a sua parte. Seu sobrenome, seu nome… isso não significa nada nesta mesa.

Liam semicerrou os olhos e, com um gesto elegante, ergueu a taça em direção à luz.

— Não significa nada… e ainda assim, aqui está você, negociando comigo. Que ironia, não acha?

Apolo cerrou a mandíbula.

— Não confunda uma transação com respeito. Isto é apenas negócios.

— Claro… negócios — repetiu Liam, mas sua voz destilava veneno —. Embora todos saibamos que por trás desta “mercadoria” se esconde algo mais. Gosta de disfarçar seus movimentos, Apolo, mas é tão transparente que até um cego poderia ler você.

O sorriso de Apolo se deformou numa careta sombria.

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