Cecilia havia ficado completamente pálida. O sangue parecia ter abandonado seu rosto, e Liam percebeu imediatamente.
—Por que você ficou assim de repente? —sua voz soou cortante, quase zombeteira—. Há pouco você falava como um papagaio e agora, o que aconteceu? Sua língua grudou?
Mas Cecilia mal o escutava. Sua mente estava em outro lugar, presa em um turbilhão de lembranças e medos. A ideia de voltar a cruzar o caminho de Rayner a paralisava. Ela sabia perfeitamente o que aquilo significava: se ele a pegasse, não teria mais como escapar. Seria obrigada a se casar com aquele miserável, a se tornar sua esposa contra sua vontade e, além disso, sofreria o severo castigo que ele havia prometido para ela.
O ar ficou preso em sua garganta. Não, ela não podia permitir que algo assim acontecesse. Não daquela vez. Precisava fazer alguma coisa, e rápido.
Foi então que seus olhos pousaram sobre uma máscara, bem ao lado de Brian. Sem pensar duas vezes, estendeu a mão, colocou-a sobre o rosto e também cobriu a cabeça com um capuz. O gesto foi tão rápido que parecia ter sido planejado desde antes, um reflexo de puro desespero.
Liam a observou em silêncio, estreitando os olhos com uma mistura de desconfiança e curiosidade. Podia imaginar que aquela mulher estava tramando alguma coisa, mas, em vez de impedi-la, limitou-se a deixá-la agir. Um brilho fugaz atravessou seu olhar: ele a conhecia o suficiente para saber que, mais cedo ou mais tarde, o próprio plano dela acabaria sendo revelado.
A carruagem parou diante da mansão de Rayner, e Cecilia sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo. Praguejou baixinho, com os lábios mal se movendo, ao ver novamente aquele lugar do qual havia lutado tanto para escapar.
O edifício se erguia imponente, com seus muros altos e portas escuras que pareciam engolir a luz. Cada pedra a fazia lembrar da prisão disfarçada de lar onde havia sofrido tanto. Seu coração batia acelerado, mas ela não permitiu que o medo se refletisse em sua postura.
Na entrada, Rayner já os esperava. Vestia-se com a mesma elegância arrogante de sempre e, ao vê-los se aproximarem, um sorriso carregado de presunção surgiu em seus lábios.
—Não esperava vê-lo tão cedo, Liam —disse enquanto apertava sua mão com firmeza—. O que posso dizer... a situação exigia.
Liam retribuiu o gesto com naturalidade, embora seus olhos escondessem um brilho frio e calculista.
Rayner, sem perder tempo, desviou o olhar para a pequena figura que permanecia atrás de Liam. Franziu a testa ao notar a máscara que cobria seu rosto.
—E quem é essa mulher?
Liam virou lentamente a cabeça na direção de Cecilia. Seus lábios se curvaram em um sorriso carregado de ironia antes de responder:
—Ela é minha médica particular. Usa uma máscara porque... bem, o rosto dela é bastante feio.
O comentário atingiu Cecilia como um balde de água gelada. A raiva queimou seu peito e, por um segundo, ela desejou avançar sobre ele e dar uma cabeçada em seu rosto. No entanto, obrigou-se a se conter. Não podia correr o risco de ser descoberta por Rayner. Era melhor suportar a humilhação e manter sua identidade em segredo.
Rayner assentiu, embora a desconfiança ainda estivesse refletida em seu olhar.

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