O olhar dele percorreu meu corpo lentamente.
Não com desejo aberto.
Com avaliação.
Como se eu fosse uma variável em um cálculo.
— Por mais linda que seja.
— Por mais tentadora que pareça.
Ele inclinou levemente a cabeça, os olhos frios como lâminas.
— Você não é tentação suficiente, ovelhinha, para que eles arrisquem ser torturados até a morte.
A palavra saiu suave.
O efeito foi devastador.
Um arrepio percorreu minha espinha. Meu estômago se contraiu. Ele falava com a naturalidade de quem já viu homens implorando
.Aquilo me amedrontou.
Mas não tanto quanto o que veio depois.
Ele segurou meu queixo com força real dessa vez. Não o suficiente para me ferir — apenas para deixar claro que podia.
Domínio.
— Escuta aqui.
O tom mudou.
Ficou mais baixo.
Mais perigoso.
— Se você tentar corromper um dos meus homens novamente…
Ele se inclinou, os olhos presos aos meus. Tão próximos que eu conseguia sentir a respiração dele contra minha pele.
— Eu mato ele na sua frente.
Meu corpo inteiro enrijeceu.
Ele não piscava.
Não era ameaça vazia.
Era promessa.
— E depois faço você limpar o sangue dele do chão com a sua língua.
Meu coração disparou violentamente. O ar ficou pesado demais para entrar nos pulmões.
— Estamos entendidos?
Eu permaneci em silêncio.
Não por desafio.
Mas porque a crueldade daquela imagem me deixou sem voz.
Ele apertou levemente meu rosto.
— Eu não te ouvi. Estamos entendidos, porra?
A explosão da última palavra ecoou mais forte do que qualquer grito anterior.
Eu respirei fundo, forçando firmeza onde só havia tensão.
— Sim… eu entendi, meu amo e senhor.
A ironia saiu antes que eu pudesse impedir.
E eu soube, no mesmo instante, que tinha ido longe demais.
Os olhos dele escureceram de um jeito perigoso. Não era apenas raiva.
Era controle sendo desafiado.
Ali.
Na frente de um dos homens dele.
Eu tinha provocado.
E ele não era o tipo de homem que deixava provocações passarem.
Ele se afastou um passo, passando a mão pelo maxilar como se estivesse se segurando.

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