O ódio que ela nutria pela família Veronese era um veneno destilado ao longo de décadas, alimentado por rejeição e por uma perda que ela nunca aceitou.
O silêncio da cela fria não intimidava Vanessa. Pelo contrário, ela parecia saborear as memórias que a trouxeram até ali. Para o mundo, ela era uma criminosa sem escrúpulos; para si mesma, era a mulher que o destino tentou apagar.
Tudo começou com uma ambição jovem e perigosa. Anos atrás, Vanessa acreditou ter tirado a sorte grande ao se envolver com o pai de Alessandro. O plano era clássico: o "golpe da barriga". Ela queria o sobrenome, o prestígio e a fortuna dos Veronese. No entanto, ela subestimou a lealdade dele. Já noivo de Berta, o patriarca não cedeu ao suborno emocional. Ele a baniu de Arezzo com uma quantia generosa de dinheiro, exigindo um silêncio que Vanessa nunca pretendeu manter.
O que era interesse transformou-se em uma obsessão doentia. Ao descobrir o casamento oficial com Berta, Vanessa invadiu a mansão, protagonizando um escândalo que selou sua promessa de vingança: ela voltaria para destruir a felicidade que lhe foi negada.
Meses depois, a gravidez que ela usara como arma tornou-se real. Mas a vida desregrada de Vanessa cobrou seu preço. A pequena Aurora nasceu frágil, uma criança de saúde delicada que passou grande parte da vida em hospitais. O pai de Alessandro, movido pelo dever, custeou tratamentos caríssimos no exterior, mas a ciência não pôde vencer o destino.
Aos seis anos, Aurora faleceu. Com a morte da menina, o último vínculo entre Vanessa e os Veronese se rompeu. O pai de Alessandro afastou-se definitivamente, mas Vanessa não aceitou o luto. Em sua mente distorcida, a culpa pela morte da filha era da família "perfeita" que ele mantinha em Arezzo.


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