As acusações contra Vanessa eram um abismo sem fim. Além da lavagem de dinheiro e do tráfico, o relatório final revelou sua face mais monstruosa: o uso de seres humanos como cobaias em experimentos químicos. A violação absoluta da ética e da humanidade era o prego final em seu caixão jurídico. Ela nunca mais veria a luz do sol fora de uma cela.
Mas, para Luana, a justiça só estaria completa com o retorno dele.
Temendo que os superiores de Alessandro tentassem retê-lo para novas missões, Luana organizou uma vigília silenciosa e poderosa. Uma frota de carros esperava diante dos portões da organização, mas era ela quem liderava a resistência, sentada imóvel na entrada. Nada a convenceria a sair. Um ano inteiro de silêncio, sem um telefonema ou um abraço, era o limite que ela e as crianças estavam dispostos a suportar. Desta vez, ela não aceitaria um "não" como resposta.
A determinação de Luana, aliada à firmeza de Alessandro em retomar sua vida, finalmente venceu a burocracia do Estado.
Às quatro da manhã, sob o manto da escuridão, a silhueta de Alessandro surgiu no portão. Ele abandonara os disfarces e as sombras. Ao ouvir o som de passos familiares, Luana se levantou num salto. Quando seus olhos se cruzaram, o mundo parou.
Luana correu. Alessandro, em choque, sentiu as pernas falharem por um segundo. É ela? Ou meu desejo criou uma miragem? A dúvida só se dissipou quando o corpo dela colidiu contra o dele em um abraço desesperado, selado por um beijo que carregava a saudade de trezentos e sessenta e cinco dias.
— Todos estão olhando — sussurrou Luana entre beijos, sentindo as mãos dele emoldurarem seu rosto. — Deixe que olhem — respondeu Alessandro, com o olhar transbordando uma felicidade profunda. — Que vejam o homem mais descarado e apaixonado do mundo.

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