O silêncio que se seguiu à saída barulhenta de Mateus trouxe uma paz que a mansão não conhecia há meses. Luana aproximou-se de Alessandro, sentindo o peso daquela nova liberdade. Agora que o império estava sob controle e as sombras do passado haviam se dissipado, o caminho estava livre para o que ela mais desejava: o futuro deles.
— Alessandro, estive pensando... — começou ela, sentando-se ao lado dele. — Agora que você está de volta, precisamos decidir sobre o nosso casamento.
Alessandro largou o jornal definitivamente. Ele já conseguia imaginar o evento: um castelo na Itália, flores raras trazidas de longe e uma cerimônia que pararia a cidade. Ele sempre valorizou o simbolismo e a ideia de dar a Luana o espetáculo romântico que ela merecia. Luana, porém, sorriu com uma serenidade que o desarmou. Ela aprendeu cedo que a única pessoa capaz de salvá-la era ela mesma; as fantasias de princesa haviam ficado para trás, substituídas por uma força prática.
— Não há necessidade de todo esse trabalho — disse ela, segurando a mão dele. — Podemos simplesmente nos registrar, fazer uma refeição com nossas famílias e receber suas bênçãos. Isso deve ser suficiente. Quero passar o resto do meu tempo viajando com você. Nossa viagem será tranquila, só nós dois. Sem flashes, sem centenas de convidados... apenas nós.
As palavras dela o tocaram profundamente. Ele percebeu que a verdadeira aventura não estava na festa, mas no tempo que teriam para descobrir o mundo juntos.
Como Luana desejou, a cerimônia foi de uma elegância discreta no cartório. Ao redor deles, as quatro crianças eram o retrato da euforia. Mas, antes que o avião ganhasse os céus, Alessandro precisava encerrar os últimos capítulos de uma história de décadas.
No hospital, o encontro com Hortência e a despedida de Berta carregavam o peso da história. Alessandro não escolheu a vingança, mas o distanciamento. O destino delas foi um "exílio dourado" em uma mansão aristocrática em Berlim. Ali, entre as memórias e o frio alemão, elas aprenderam a valorizar o homem que Alessandro se tornara.
Enquanto isso, o destino dos que plantaram o caos foi selado com o rigor do ferro:
Vanessa: A ambição e a maldade encontraram seu fim entre paredes de pedra. Vanessa exalou seu último suspiro na cela da cadeia, onde a solidão e o peso de suas traições foram suas únicas companhias até o silêncio final.
Camila: Também encontrou seu fim na solidão gélida de uma cela, onde o eco de suas próprias escolhas foi sua única companhia.
Rodolfo: Capturado na fronteira, tentando repetir o sequestro de décadas atrás. A história não permitiu que ele escapasse desta vez.
Isabel: No Canadá, as grades tornaram-se seu novo horizonte. O dinheiro provou-se inútil diante da justiça.
O almoço na mansão transcorreu sob o signo da gratidão. Vivian e Marcelo, carregando o filho nos braços, eram o símbolo vivo da redenção. No jardim, o sol parecia estacionar sobre a varanda. Lá embaixo, Lucca, Matteo, Mia e Lorena caminhavam entre os primos, agora como herdeiros de um legado de força.
À mesa, a harmonia era absoluta. Mateus e Maisa,Heitor e Hilda, Carlo e Nora conversavam com os patriarcas enquanto o Velho Curie e o Tio Ângelo, ladeados pela incansável Tia Maria, gesticulavam com a vivacidade de quem reconstruiu o mundo sobre o amor.
Luana fechou os olhos, sentindo a presença sólida de Alessandro às suas costas, e sussurrou:

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