ELISA RIVER.
Me espreguicei na cama. Essa foi a noite de sono mais tranquila que tive em dias. Pude relaxar e dormir. Agora que Victor estava em casa, longe daquele hospital. Sei que ele não se lembra de mim. Mas, para mim, o que importa é que ele esteja bem e em casa. Onde sei que estará ao alcance das minhas vistas.
Ontem, no jantar, Victor não participou. De acordo com minha sogra, ele tomou a sopa que fiz e adormeceu. Senhora Abigail, disse que Victor gostou muito da sopa e que elogiou muito. Disse que quando comentou, que eu havia feito. Ele ficou surpreso, mas não comentou o fato.
Minha sogra acredita que peguei Victor pelo estômago. Rimos do seu comentário. A mesa estava posta com pratos fumegantes e todos estavam presentes. Respirei fundo, segurei o garfo com força e anunciei:
— Vou me mudar para a edícula.
Houve um silêncio e, em seguida, minha sogra e Thomas tentaram me fazer mudar de decisão na hora. Abigail pousou a taça devagar, olhou firme e disse:
— Elisa, isso não é mais necessário. Victor disse que você e Melissa poderiam ficar, que não as mandariam embora.
Thomas concordou rápido:
— Exatamente, meu irmão mudou de decisão. Não há necessidade disso. E a edícula é pequena demais. Você está grávida e levará um bebê com você. Lá não tem muito conforto.
— Eu não quero impor minha presença e me sentirei melhor no meu cantinho. E a edícula tem espaço suficiente para mim e meus filhos. Não se preocupe.
Minha sogra abriu a boca para protestar, mas Ceci se pronunciou.
— Calma, gente, tudo isso faz parte de um plano.
Eleonor, Thomas e Abigail olharam confusos.
— Como assim, filha? — perguntou Eleonor.
Então Ceci, com aquele brilho malicioso nos olhos, contou o seu plano doido. Todos ficaram em silêncio um segundo. Pensei que eles fossem me dar razão e dizer que era loucura. Mas essa família não é normal e todos concordaram com Ceci. Resultado, embarquei em mais um plano mirabolante dos Baltimor. A conversa durou quase uma hora, vozes se cruzando, pratos tilintando, até que cedi, exausta.
Sacudi a cabeça para dissipar o que aconteceu ontem. Hoje era outro dia. Levantei, fui até o banheiro e, quando voltei, minha pequena estava acordada no berço. Me aproximei e Mel balançou os bracinhos, animada em me ver. A peguei nos meus braços, abracei-a e cheirei seu pescoço. Levei-a até a minha cama, deitei-a e comecei a passar o rosto em sua barriguinha. Mel começou a rir, aquela risada gostosa de bebê que eu amava.
Iniciar o dia escutando esse som era bom demais. Após limpar e trocar a roupa de Mel, saímos do quarto.
Desci para tomar o café da manhã e encontrei a família reunida, exceto Victor. Coloquei Mel no carrinho e me sentei.
— Bom dia! — Cumprimentei e todos responderam, me sentei e perguntei:
— E Victor?
— Ele está ainda dormindo, passei mais cedo em seu quarto e estava adormecido. O enfermeiro disse que ele passou bem a noite e não acordou. Provavelmente, ele deve acordar mais tarde. O médico disse que os medicamentos lhe causam bastante sono.
— Entendi. — Comentei apenas. Mas estava feliz em saber que ele dormiu a noite toda. Era um bom sinal.
— Eu então, Elisa, tudo pronto para a sua mudança? — perguntou Thomas.

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