ELISA RIVER.
Thomas suspirou novamente, passando a mão pelo rosto antes de continuar.
— Charlotte passou mal e a levaram para um hospital fora da cadeia e a infeliz fugiu.
Senti o ar faltar. Meu peito se apertou de repente, como se uma mão invisível estivesse me sufocando. O ar da sala pareceu rarefeito. Meu coração acelerou tanto que eu conseguia ouvir as batidas nos ouvidos. Charlotte solta. Aquela mulher perigosa, obsessiva e cruel estava livre novamente. O medo subiu pela minha espinha como uma onda gelada.
— Isso não podia ter acontecido. Como caíram nesse golpe velho? — perguntou Ceci, revoltada, batendo a mão na mesa com força. E assustando a Mel.
— Cecília, você assustou minha filha. — A repreendi, levantei e tirei Melissa do carrinho e comecei a andar com ela no colo, tentando acalmá-la.
— Desculpe, Elisa, desculpe, Melzinha. — Pediu, me afastei um pouco. Senhora Abigail se pronunciou.
— Filho, explica isso direito — exigiu minha sogra, a voz firme, mas com uma nota de preocupação que eu raramente via nela.
— Eu não sei de muita coisa, mãe. O advogado de Victor me enviou uma mensagem agora, dizendo isso.
— Querido, é melhor ligar para ele — disse Eleonor, já pegando o celular de Thomas em cima da mesa, como se quisesse resolver tudo imediatamente.
Enquanto eles conversavam, eu estava preocupada. Aquela louca solta vai vir atrás de mim. Arregalei os olhos, sentindo um frio intenso percorrer todo o meu corpo. As mãos começaram a tremer levemente sobre a mesa. Lembrei de Victor dizendo que Charlotte ameaçou Melissa. Eu não estava presente, mas lembrava do rosto dela, o sorriso falso, a voz venenosa, quando chegou aqui aquele dia. Meu estômago revirou.
— Charlotte virá atrás de mim e de meus filhos. Ela já ameaçou a Mel. E Victor está nesse estado, como poderá nos proteger? — falei nervosa, a voz saindo mais alta e trêmula do que eu pretendia. Enquanto tentava acalmar minha filha.
— Calma, Elisa, eu não vou deixar nada acontecer com vocês. Enquanto meu irmão estiver impossibilitado, eu cuidarei dessa família — garantiu Thomas, firme, mas eu via a tensão em seu maxilar. Charlotte era um grande problema.
— Exatamente, Elisa. Ninguém deixará Charlotte encostar em você. Vou acionar meus contatos também — disse a senhora Abigail, com uma determinação fria que me assustou.
— Que contatos, vovó? — perguntou Ceci, curiosa.
— Você não precisa saber, será melhor para você que não saiba — respondeu Abigail, misteriosa, o tom deixando claro que não admitiria questionamentos e não daria satisfações a ninguém.
— Mãe, o que está aprontando?
— Eu e seu pai… Bem, posso dizer que temos alguns amigos que podem resolver certas coisas. Seu irmão não quis minha ajuda contra Charlotte antes. Se tivesse aceitado, essa infeliz não estaria dando trabalho. Mas enfim, fique tranquila, Elisa, e apenas pense na sua gravidez, deixe o restante conosco.

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