VICTOR BALTIMOR.
Ver Elisa ali, ao meu lado, foi a coisa mais reconfortante e mais dolorosa que eu poderia sentir ao mesmo tempo.
Reconfortante porque ela estava comigo. Porque, apesar de tudo o que fiz, de todas as palavras cruéis que disse enquanto estava sem memória, ela ainda estava ali ao meu lado, segurando a minha mão. E olhando para mim com amor.
É doloroso, porque cada vez que eu a encarava, a culpa voltava com mais força. Era impossível não lembrar. Era inevitável não reviver a forma como a tratei naqueles dias.
A frieza, a dureza, o desprezo. As ordens absurdas: mandar expulsá-la de casa. Falar alto com ela e assustar Melissa.
Eu havia ferido a mulher que eu amo. Sei que a machuquei, mesmo ela não demonstrando, eu sabia. Deus…
Como eu queria apagar aqueles dias da minha mente. Esquecê-los totalmente, fingir que nunca aconteceram.
Mas não era possível. Aquelas lembranças agora faziam parte de mim, e talvez a pior punição fosse justamente essa: ter que conviver com elas. Ter que aprender a lidar com o estrago que causei e ter que olhar para Elisa todos os dias e lembrar que eu, em um período, a fiz sofrer.
Pensando nisso, naquele instante, fiz uma promessa silenciosa a mim mesmo. Eu pediria perdão todos os dias, de todas as formas possíveis. E faria o impossível para recompensar a minha mulher por todos os sentimentos ruins que a fiz sentir.
Pela dor, medo, solidão e humilhação. Nenhum esforço meu seria grande demais. Nenhum gesto seria suficiente. Mas eu tentaria. Pelo resto da minha vida.
Quando ouvi Elisa dizer que me amava, algo dentro de mim simplesmente parou. Foi a coisa mais incrível da minha vida.
Aquelas palavras penetraram no meu peito como luz, aquecendo um lugar que estava frio, vazio e perdido por tempo demais. Como esperei por esse momento. Foram semanas de espera para ouvir aquelas três palavras.
Elisa já havia me dito que me amava quando eu ainda estava sem memória, e eu lembro de ter ouvido aquelas palavras.
Mas não foi assim. Não foi como agora.
Ainda assim, ouvir Elisa prometer que superaríamos tudo juntos trouxe uma paz ao tormento que estava sentindo.
Ela ainda acreditava em nós. Ainda acreditava em mim. Foi então que meus olhos desceram até o ventre dela.
Nossos gêmeos. Meu peito apertou de emoção.
Como eu estava ansioso para tocar na sua barriga e sentir nossos gêmeos crescendo. Desde aquela videochamada da ultrassonografia, quando vi a imagem tremida dos nossos bebês na tela e precisei me contentar apenas com aquilo. Eu estava ansiosa para tocá-la, mas o acidente atrasou.
Agora ela estava ali. Na minha frente. E eu podia sentir de verdade nossos bebês crescendo. Ergui a blusa dela devagar, com cuidado, quase com reverência, e toquei sua pele.
No instante em que minha mão encostou em sua barriga, um arrepio bom percorreu meu corpo inteiro. Meu ar falhou.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.