VICTOR BALTIMOR.
A saliência já era perceptível sob a palma da minha mão. Pequena, delicada, mas real.
Os meus filhos estavam ali, dentro dela. Crescendo, se desenvolvendo. Não quis saber da gestação da Melissa, e me arrependo e muito. Mas dos gêmeos, não cometerei esse erro, quero estar aqui, presente em cada etapa.
Uma emoção avassaladora me atingiu.
Era impossível descrever a sensação exata. Eu sentia amor, pertencimento, responsabilidade, gratidão. E fui invadido pela consciência esmagadora de que eu tinha uma família.
Passei os dedos devagar sobre a curva suave de sua barriga, sentindo cada centímetro como se quisesse memorizar aquele momento para sempre.
Quando perguntei pelos nossos meninos e Elisa respondeu que eles estavam bem, meu peito se encheu de alívio.
Então ela sorriu e disse que ainda não sabíamos se eram meninas ou meninos. Não consegui evitar a risada baixa que escapou de mim.
— Serão dois meninos. E eles vão me ajudar a cuidar de você e da Mel.
Falei aquilo porque, no fundo, aquela imagem me fazia feliz.
Dois pequenos aliados, dois meninos correndo pela casa. Parecidos comigo e protegendo a mãe e a irmã. Mas quando Elisa arqueou a sobrancelha e provocou:
— Quero só ver se forem duas menininhas.
Senti como se fosse atingido por um balde de água fria. E arregalei os olhos.
A imagem mudou na minha cabeça tão rápido que quase me fez rir de novo.
Duas meninas, duas pequenas versões da Elisa. Teimosas, lindas, inteligentes. Capazes de me dobrar com um único olhar. Soltei o ar em falsa derrota. E a imagem de uma fila de marmanjos atrás delas. Isso não, jamais. Eu teria que contratar mais seguranças para espantar esses sedutores. E, pensando nisso, respondi:
— Então estarei muito ferrado.
Nós dois rimos juntos, após alguns segundos nos encarando. E aquele som…

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